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Pessoas conversando no background com um contrato na mesa

Como é o trabalho na área de Inovação e Startup de um escritório de advocacia

Por Ana Pinho

Rodrigo de Campos Vieira, head da seção no escritório Tozzini Freire, explica o que seu cotidiano exige e como a firma mudou ao ter contato com o empreendedorismo

Em agosto de 2016, o escritório Tozzini Freire oficializou sua área de Inovação e Startup em uma parceria com a aceleradora ACE, que trouxe as primeiras empresas de seu programa de aceleração como clientes.

Um ano depois, há entre 30 e 40 startups na lista, que já surtem efeito tanto na hora de atrair jovens talentos quanto de render novos aprendizados que se espalham pelo escritório inteiro. 

Quem quer trabalhar nesse ou em outros escritório, inclusive, pode se inscrever gratuitamente na Conferência Na Prática Jurídico, feira de carreiras promovida pela Fundação Estudar para profissionais do Direito e que ocorre em São Paulo no dia 31/10.

“Nossa rotina é atender startups, estejam elas em fase inicial ou mais desenvolvidas, e ver quais pontos elas precisam corrigir para estarem aptas a receber investimentos de fundos de venture capital”, começa Rodrigo de Campos Vieira, head da área.

Como existe uma concorrência entre startups pelos investimentos no mercado, continua, aquela que apresenta uma estrutura jurídica sólida tem vantagem competitiva e se torna mais atraente.

“Ela está pronta para receber investimentos de forma mais célere e tem um desconto menor no valuation”, resume Vieira, empregando o termo em inglês para o processo de estimar quanto vale uma empresa, determinando seu preço e o retorno do investimento.

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Com quase um ano de experiência, ele já pode elencar as dúvidas e problemas que mais se repetem entre empreendedores, como ajustes de termos e condições conforme os produtos vão mudando, obstáculos burocráticos em contratos e dúvidas em relação a aspectos tributários.

De tão frequentes, as perguntas acabaram se tornando um ebook gratuito, Como Estruturar Juridicamente Sua Startup, feito com a ACE.

“É ruim quando a startup está avançada e, às vésperas de começar uma rodada de investimentos, precisa tirar a atenção do negócio para arrumar a casa”, continua o advogado.

Trabalho imersivo

Antes de integrar a equipe, que hoje tem mais de 40 pessoas – elas vêm de diferentes partes da empresa em um sistema de rotação, para não restringir os aprendizados a uma área só –, Vieira trabalhava com mercado de capitais e regulamentação bancária.

Hoje, sua empolgação é visível quando fala da experiência com empreendedores e o que esse tipo de relação exige.

“Aprendemos a ser bem objetivos, ter uma comunicação clara, não desperdiçar tempo, produzir resultados rapidamente… Mudamos até o dress code, agora mais informal, para frequentar os mesmos ambientes que as startups”, fala.

A priorização necessária em organizações de recursos escassos também se disseminou entre os profissionais que as atendem.

Leia também: Como um advogado pode se preparar para trabalhar com startups?

“Você não precisa lidar com as partes societária, trabalhista ou tributária de uma vez. Precisa decidir quais são as principais, estabelecer cronogramas de resolução de problemas por ordem de importância…”, explica Vieira. “A regra ‘o ótimo é inimigo do bom’ vale muito para startups.”

Além de atender as startups da parceria com a ACE, os advogados do Tozzini Freire passaram a frequentar espaços de empreendedorismo de São Paulo, como os coworkings Cubo e Google Campus, atraindo outros clientes.

O mergulho nesse ecossistema continuou através de visitas ao Vale do Silício, nos EUA, muita leitura e interação com fundos de venture capital e grandes empresas interessadas em inovação, que também são clientes da área e acabam indicando setores e startups que consideram interessantes.

De maneira progressiva, continua ele, “você começa a entender a mentalidade do ecossistema.”

Advogado do escritório TozziniFreire[Rodrigo de Campos Vieira, advogado do escritório TozziniFreire / Foto: Divulgação]

Como o número de startups que podem atender é restrito, a equipe empregou os novos conhecimentos também para desenvolver o know how necessário para avaliar aquelas que têm mais potencial.

É uma parte crucial da estratégia: é raro que uma startup tenha capital suficiente para pagar, na íntegra, os serviços jurídicos de um escritório tradicional. Por isso, o Tozzini Freire seleciona as startups com as quais quer trabalhar e aceita uma remuneração variável, que cresce junto com a empresa.

Para os advogados envolvidos, uma das lições mais importantes foi entender a importância da figura do empreendedor para o sucesso do negócio.

“Você aprende que é mais importante apostar nos jóqueis que nos cavalos. São as pessoas flexíveis e apaixonadas pelo que fazem que vão ajustar o produto quantas vezes for necessário para que seja aceito pelo consumidor, escalável e tenha valor”, resume Vieira.

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A startup enxuta (e o escritório enxuto)

Que o empreendedorismo e a economia digital têm lugar importante no futuro da economia brasileira e do mundo, ninguém duvida.

E se há alguns anos trabalhar com tecnologia era difícil e custoso – lembra das salas separadas e refrigeradas para servidores? –, atualmente um empreendedor com acesso à nuvem pode encontrar um cliente em potencial em qualquer smartphone. “Não se trata de uma onda: é uma nova forma de negócio que a tecnologia permitiu”, garante.

Preparar-se para essa nova realidade inclui não só tornar o escritório mais atraente para empreendedores, mas também para novos talentos do Direito, que hoje saem das universidades com outras aspirações profissionais.

Leia também: Um raio-x das startups brasileiras: como estão distribuídas e em que áreas atuam

“A forma que essa geração usa para estabelecer relações de confiança é diferente da tradicional”, explica Vieira. “Confiam no Uber em qualquer cidade pela reputação do aplicativo, dormem num espaço do Airbnb confiando na reputação do proprietário, veem informações sobre restaurantes e hotéis no Tripadvisor… Então a gente se pergunta: como construir essa relação com advogados?”

Parte da resposta, que já afeta o cotidiano de outras áreas do Tozzini Freire, veio do próprio com startups. “Surpreendeu-me como a cultura de uma grande organização pode ser positivamente influenciada”, diz. “Hoje somos mais enxutos e colaborativos, recebemos mais currículos e temos mais gente interessada em inovação.”

No fim, continua, o trabalho com Inovação e Startups é uma geração de valor conjunto. “Dá alegria participar de algo novo. É uma sensação de propósito que faz muito bem para a sociedade”, finaliza.

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