Um Projeto: Fundação Estudar
Henrique Vitta, trainee do Vetor Brasil, em frente à Secretaria de Educação do Ceará, em Fortaleza

Na estrada: o que um trainee do Vetor Brasil aprendeu sobre gestão pública viajando pelo Brasil

Por Redação, do Na Prática

Após um ano na Secretaria de Educação do Ceará, Henrique Vitta decidiu visitar os amigos trainees numa viagem de 7 mil quilômetros pelo Brasil

Um dos aspectos frequentemente destacados pelos jovens do Vetor Brasil – que está com inscrições abertas até 19/09 para seu programa de trainee de gestão pública – é o acesso à rede de trainees espalhada em diversos cantos do Brasil.

Quando surge uma dúvida, grupo de estudo ou oportunidade de parceria, ali é a primeira parada. E quando surge uma viagem, também é frequente que recebam os colegas nos 24 estados em que estão presentes.

Um deles, Henrique Vitta, uniu o útil ao agradável.

Quando terminou seu ano como trainee na Secretaria de Educação do Ceará – onde respondia diretamente para o Secretário de Educação –, resolveu voltar para São Paulo de carro e visitar diversas cidades brasileiras, parando para conhecer belezas naturais e também a realidade da gestão pública local.

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Ao longo de 7 mil quilômetros, passou por 11 capitais e 12 estados, além do Distrito Federal, e visitou cerca de 30 trainees do Vetor Brasil pelo caminho.

De volta à capital paulista, o jovem, que se formou em Ciências Contábeis pela Universidade de São Paulo em 2015, começa em breve a trabalhar no Instituto Ayrton Senna.

Abaixo, ele fala sobre seus aprendizados como trainee, o que seus colegas fazem nas cidades em que visitou e o que aprendeu ao longo de um ano:

O que aprendi viajando 7 mil quilômetros pelo Brasil

Em um  ano intenso como trainee do Vetor Brasil na Secretaria de Educação do Ceará, tive aprendizados sobre gestão pública que levariam anos para conseguir de outras maneiras.

Aos 26 anos, tive contato com projetos estratégicos dentro de um governo e conheci outras pessoas que vivenciaram e vivenciam experiências semelhantes em outros estados brasileiros.

Como eu, elas querem se dedicar ao desenvolvimento do país e veem o setor público como a melhor forma de contribuir para isso, com qualidade e capacidade de escala.

Antes de me tornar trainee, eu já tinha algumas experiências com gestão e setor público.

Na universidade, participei de projetos de consultoria de gestão empresarial na FEA Júnior USP, uma empresa júnior da qual fui presidente, e estagiei na consultoria Falconi.

Meu interesse por compreender melhor a realidade brasileira me levou a participar de ações como o USP Debate, um projeto de extensão universitária que cofundei e que utiliza um modelo de debates competitivos para apresentar temas sob diferentes pontos de vista, e de pesquisas do Observatório de Gestão Pública da FEA-USP, em que ainda atuo.

Quando passei a pensar em decisões de carreira, decidi conhecer melhor as oportunidades de atuação no setor público e participei do Carreira Na Prática Gestão Pública, curso de decisão de carreira da Fundação Estudar.

Foi então que conheci o programa de trainee de gestão pública do Vetor Brasil.

Pouco depois, durante a Conferência Na Prática de 2015, a conferência de carreira da Fundação Estudar, pude entender melhor o potencial e a qualidade do Vetor ao conversar com Joice Toyota, cofundadora da ONG, e com colegas que já estavam no programa.

Tudo aquilo me deu a certeza de que era ali que eu queria estar para ajudar no desenvolvimento do Brasil.

Henrique Vitta, trainee do Vetor Brasil, tira foto da estrada brasileira[Visão da estrada brasileira / Foto: Acervo pessoal]

Minha experiência como trainee no Ceará

Cheguei à Secretaria de Educação do Ceará em julho de 2016.

Já tinha pesquisado sobre a preocupação do estado com gestão e sabia sobre os bons resultados educacionais. Mesmo assim, fiquei positivamente surpreso com o que encontrei na prática.

Não só havia diversos sistemas de informação – que abrem enormes possibilidades para análises e desenhos de políticas públicas – como também um ambiente de colaboração institucional.

Há, por exemplo, a Coordenadoria de Cooperação com municípios, que propicia grande comunicação e interação das políticas estaduais e municipais e diversas outras ações e projetos que facilitam a sinergia da rede, que inclui parceiros como Instituto Natura e o próprio Vetor Brasil.

Na Secretaria de Educação, por exemplo, outras trainees já tinham sido alocadas antes de mim, entre elas Emília Marinho, que também já compartilhou sua experiência com o NaPrática.org.

Quando cheguei, comecei a trabalhar em um dos principais projetos do governo estadual: a expansão das Escolas em Tempo Integral.

É um projeto bastante ambicioso e que permitiu que o número de escolas participantes subisse de 26 para 71 em 2017, tornando o Ceará um dos estados brasileiros com maior expansão escolar nessa modalidade.

Um dos desafios era integrar, aprimorar e expandir essa política educacional sem deixar de aproveitar os bons projetos que já existiam localmente.

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Desafios e reconhecimento

Ali, pude aplicar conhecimentos que adquiri na faculdade e no setor privado à serviço da educação pública e ajudar na expansão do modelo, que atingiu cerca de 15 mil alunos.

Trabalhei juntamente com os servidores e parceiros no planejamento e estruturação do projeto, no desenho de sua governança e na estrutura de acompanhamento, entre outros aspectos.

Ao ter meu trabalho reconhecido, pude eventualmente mudar de função e comecei a trabalhar como assessor institucional e otimizar os recursos financeiros da secretaria.

Ali, tive um maior grau de autonomia e responsabilidade e respondia diretamente ao Secretário de Educação cearense.

Além de levar essa riquíssima experiência de ter participado da construção do modelo de uma política pública de grande relevância e de uma experiência intensa com finanças públicas, decidi que aproveitaria outro aspecto do Vetor Brasil: a rede de trainees espalhada pelo país.

Queria trocar o máximo de experiências com meus colegas e, assim que finalizei minha atuação na Secretaria, fiz as malas e coloquei a ideia em prática.

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Primeira parada: Maranhão

No início de julho fui para São Luís, no Maranhão, conhecer a realidade de um estado que está em transformação e conta com uma grande quantidade de trainees em diversas secretarias e órgãos em projetos estaduais desafiadores.

Além de conhecer muitos novos traineesvi o trabalho desenvolvido por Mariana Gomes nas relações de comércio internacional na Secretaria Extraordinária de Programas Especiais e os desafios de estruturação e comunicação de Vitor Salomão na Secretaria de Administração Penitenciária.

Aproveitei também para conhecer as atrações da região, como as comemorações finais da tradicional festa junina da cidade e as belezas naturais dos Lençóis Maranhenses, na vizinha Barreirinhas.

De lá, voltei para Fortaleza para terminar minha mudança e comecei a viagem de carro.

Festa Junina no Maranhão[Festa junina em São Luis / Foto: Acervo pessoal]

Nordeste

Depois de deixar o Ceará, parei primeiro em Mossoró, no Rio Grande do Norte. É a segunda maior cidade do estado, grande produtora de petróleo e de sal marinho.

Também é conhecida pelos monumentos que contam sua história de resistência ao grupo de Lampião e sua parte na história do cangaço brasileiro.

Em seguida, fui para Natal, Parnamirim e para João Pessoa, na Paraíba, onde passei pela Ponta do Seixas, o ponto mais oriental das Américas.

Parei em Pernambuco, onde encontrei vários trainees que estavam reunidos na cidade.

Fui recebido pela Lara Vilela, trainee da minha turma que trabalha em um projeto de implementação de um modelo de planejamento na Secretaria estadual de educação e que também integra o coletivo Vetor dxs Pretxs, apresentado aqui.

Henrique Vitta e trainees do Vetor Brasil em Pernambuco[Henrique Vitta (à direita) com trainees do Vetor Brasil em Pernambuco / Foto: Acervo pessoal]

Já em Maceió, em Alagoas, encontrei Alexandre Lins, que foi trainee da primeira turma do Vetor Brasil e estava de passagem. Ele trabalhou com governança e gestão de dados na Secretaria de Gestão e Planejamento de Goiás e hoje trabalha no Ministério da Educação.

A próxima parada foi a capital do Sergipe, Aracaju, onde a trainee Paula Carneiro compartilhou um pouco dos desafios na implementação de escolas em tempo integral naquele estado.

Finalizei minha passagem pelas capitais nordestinas em Salvador, onde visitei Amanda Albuquerque, trainee recém-alocada na Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo, onde utiliza tecnologia para agilizar o atendimento aos cidadãos.

Também encontrei Adson Lima, trainee que trabalha com gestão e planejamento na Secretaria da Casa Civil de Salvador. Hoje, está desenvolvendo um projeto com o Plano Plurianual do município.

Distrito Federal

Descendo do nordeste, passei pela Chapada Diamantina e fui percebendo a paisagem se transformar até minha chegada em Brasília, onde me encontrei com trainees e amigos que estão na cidade. A capital federal concentra muitas instituições públicas, privadas e do terceiro setor que se relacionam com o setor público. Há trainees que entraram comigo, como Matheus Assunção e Marina Rosa, e hoje trabalham na Secretaria de Planejamento e Gestão do Distrito Federal.

Henrique Vitta com trainees em Brasília[Henrique Vitta com trainees do Vetor Brasil em Brasília / Foto: Acervo pessoal]

E há trainees de turmas anteriores que hoje estão em projetos no Ministério da Educação, consultorias para o setor público, no Banco Interamericano de Desenvolvimento e no Banco Mundial.

Também aproveitei a chance para conversar com servidores públicos e visitar outros locais como a Secretaria de Transparência do Distrito Federal e a Assessoria Legislativa da Câmara Federal, que me deram uma visão complementar sobre o funcionamento das estruturas federais e distritais.

Minha passagem pela cidade se encerrou no final da semana com o evento de lançamento nacional do Movimento Acredito, um movimento de renovação políticaAli, não só reencontrei amigos como colegas de outros momentos que hoje estão atuando de diferentes formas e que também buscam contribuir para uma mudança no país.

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Centro-Oeste

Em viagem ao Mato Grosso do Sul, fui do cerrado ao pantanal. Passei pelas fazendas goianas, pelas belezas naturais de Caldas Novas e cheguei a Campo Grande, onde há diversos trainees em secretarias estaduais.

Visitei a Secretaria de Governo e Gestão Estratégica do estado e conversei com servidores sobre o trabalho de trainees que trabalham em projetos variados, que vão de indicadores estratégicos a monitoramento de estratégias e estruturação de um escritório de processos – tudo visando aprimorar a gestão pública.

Trainees do Vetor Brasil em Mato Grosso do Sul[Trainees do Vetor Brasil em Mato Grosso do Sul / Foto: Acervo pessoal]

Conheci também a Secretaria de Administração e Desburocratização e a Secretaria de Educação (ambas contam com trainees do Vetor Brasil).

Conheci a realidade da rede do estado e aproveitei para compartilhar um pouco de minha experiência com o tema no Ceará.

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Sudeste

Novamente na estrada, fui reconhecendo aos poucos as paisagens do interior de São Paulo e aproveitei para reencontrar minha família antes de retornar à capital.

Foi muito interessante voltar depois de um ano fora. Não só vejo a cidade com outros olhos como enxergo potenciais que podemos explorar e o quanto outros estados brasileiros podem contribuir com ideias e projetos.

Aproveitando o retorno, visitei os trainees que trabalham na Secretaria de Governo do Estado em áreas como inovação, segurança viária, infraestrutura e parcerias com terceiro setor. Também há trainees na Secretaria de Educação e na Secretaria da Fazenda.

Encerrei a turnê de visitas ao visitar o novo escritório do Vetor Brasil. Assim, pude rever a equipe que tanto nos apoia e proporciona experiências incríveis.

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Um ano depois

Foi um motivo de grande felicidade ver amigos trainees que entraram comigo há pouco mais de um ano enfrentando desafios tão distintos em diferentes cantos do país.

Durante nosso treinamento, havia muita expectativa e incerteza em relação a como lidaríamos com o que viria.

Revê-los para trocar experiências e constatar a maturidade que adquirimos nesse espaço curto de tempo foi um privilégio para mim.

Por fim, conhecer melhor o Brasil e o setor público de uma perspectiva interna, vendo seus desafios a nível federal, estadual e municipal, foi muito gratificante.

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Ver na prática que há tantos trainees, servidores e consultores comprometidos com fazer a diferença é muito inspirador.

Em breve, começo a trabalhar em um projeto de educação no Instituto Ayrton Senna.

Agora, quero aproveitar ao máximo minhas experiências e me conectar com o maior número possível de pessoas que se alinham com meu propósito de ajudar a desenvolver o país.

Assim, somando esforços e aprendizados, poderemos contribuir cada vez mais para construir o Brasil que queremos.

O processo seletivo para o programa de trainee do Vetor Brasil está com inscrições abertas até 19/09.

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