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Real Estate: o que é e qual o perfil profissional

Por Cecília Araújo

Segundo especialista, candidatos ao setor devem ter interesse genuíno no mercado imobiliário e energia para trabalhar longas horas

Nos últimos 10 anos, o mercado de real estate no Brasil cresceu e se consolidou de forma expressiva, atraindo a atenção de jovens profissionais. Com diferentes possibilidades de atuação, o setor imobiliário exige habilidades financeiras, boa capacidade de relacionamento e muita energia para trabalhar longas horas.

O real estate é considerado um investimento alternativo, ou seja, no jargão do mercado financeiro isso quer dizer que ele tem menos liquidez, menos informação disponível, menos transferência, maiores custos de monitoramento e dados de risco e retorno mais limitados. Eles são heterogêneos e têm considerações fiscais e legais únicas e podem ser muito alavancados, aumentando os riscos. Os investimentos alternativos atraem investidores devido ao potencial de sua diversificação e retornos maiores quando são incluídos num portfólio de investimentos tradicionais.

De acordo com especialistas, os volumes das transações nesse setor vêm crescendo – e as oportunidades também. De forma geral, existem várias maneiras de atuar no setor de real estate. A mais conhecida delas é venda ou locação de propriedades para indivíduos (a exemplo de nomes como Lello e Coelho da Fonseca) ou para empresas e indústrias (como CBRE e Jones Lang LaSalle). Mas o setor imobiliário não para por aí. Também existem empresas de serviços, que trabalham para auxiliar na estruturação de negócios e contratos, e bancos de investimento especializados em gerir ativos e projetos imobiliários, como é o caso BTG.

Perfil do profissional

Em geral, os profissionais do setor de real estate são recrutados em cursos de economia, engenharia e matemática, pois é necessário ter muita familiaridade com os números e ter uma mente financeira, com capacidade de aprender conceitos específicos desse marcado. Habilidades de comunicação também são importantes, principalmente para aqueles que estarão em contato direto com o cliente.

“É importante que o jovem seja genuinamente interessado no setor imobiliário”, diz Susan Hawkins, que dá aulas de qualificações profissionais internacionais em finanças, contabilidade e valuation na SH Professional Training, empresa da qual é fundadora. Um bom exercício, sugere, é visitar um empreendimento e levantar algumas questões sobre ele, como quem serão os prováveis inquilinos, como foi pensado o empreendimento, a valorização da região, etc. “É preciso ter bastante interesse porque é uma área que exige muita energia e longas horas de trabalho”, completa Susan.

Rotina de trabalho

No dia a dia, os desafios desse profissional envolvem a análise de oportunidades de investimentos, o que engloba a visita a imóveis, escolha da localização, avaliação dos inquilinos, condições de aluguel, e outras atividades relacionadas. Também é preciso estabelecer uma projeção financeira, que irá prever o retorno do investimento, e realizar um estudo dos riscos e variáveis, estimando o impacto nos negócios caso o retorno não seja o esperado.

No Brasil, não existem certificações específicas para quem quer atuar nesse marcado, ao contrário do que acontece no exterior. No entanto, devido ao crescimento de profissionais interessados na área, começam a surgir especializações. Uma das pioneiras, a Universidade de São Paulo (USP) oferece o MBA Real Estate – Economia Setorial e Mercados, que inclui disciplinas como análise de mercados de real estate, planejamento de produtos imobiliários e rotinas de planejamento. De acordo com instituições, o objetivo é suprir fragilidades na formação inicial do profissional que durante a graduação teve pouco contato com esse marcado.

Susan Hawkins é fundadora da SHP Training, empresa que oferece cursos presenciais e online, aulas particulares e materiais para qualificações profissionais internacionais nas áreas de finanças, contabilidade e valuation, incluindo os exames do CFA (Chartered Financial Analyst). Antes disso, ela passou pela EY (Ernst & Young) e pelo Bank of England, trabalhando com valuation de empresas e planos de contingência para instituições financeiras em dificuldades.

Esta reportagem faz parte da seção Explore, que reúne uma série de conteúdos exclusivos sobre carreira em negócios. Nela, explicamos como funciona, como é na prática e como entrar em diversas indústrias e funções. Nosso objetivo é te dar algumas coordenadas para você ter uma ideia mais real do que vai encontrar no dia a dia de trabalho em diferentes setores e áreas de atuação.

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