Como é ser presidente da Aiesec no Brasil? Veja nossa conversa com Vilson Veloso

Conheça a história e os desafios enfrentados pelo mineiro Vilson Veloso, que comanda a AIESEC Brasil; antes de entrar para organização, nunca havia saído do Brasil, e hoje já conhece mais de vinte países

Ana Pinho, do , em 09.02.2016
vilson veloso presidente da aiesec no brasil [acervopessoal]

Por acaso. Foi assim que Vilson Veloso conheceu a AIESEC, em 2011, quando estudava Engenharia Elétrica na PUC-Minas. “Comecei a procurar lugares onde poderia praticar inglês de forma barata, joguei no Google e apareceu a organização”, lembra. Ele não tinha ideia do que o grupo fazia, mas foi ao evento de apresentação. Hoje, é presidente da entidade no Brasil.

Vilson não se esquece do discurso de um dos diretores presentes. “Ele disse: ‘Prestem atenção aos novos membros, um dia eles podem se tornar presidentes’”, fala. “Não era hipocrisia: a AIESEC é de fato meritocrática e, com um bom trabalho, você pode crescer ali dentro.”

Ao longo dos cinco anos dentro da organização, Vilson, que já trabalhava como técnico de eletrônica, passou pela diretoria de intercâmbios profissionais e implementou um novo programa voltado para intercambistas interessados em trabalhar em startups brasileiras. Entre julho de 2015 e janeiro de 2016, mais de 100 jovens já tinham tido a experiência.

O ambiente multicultural da organização, do russo falando português ao americano se comunicando com o colombiano, é um dos pontos de destaque para Vilson, que até então nunca tinha saído do Brasil.

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Em 2013, ele fez seu próprio intercâmbio, para Bogotá. Visitou escolas, empresas e fundações falando sobre consciência ambiental e voltou fluente em espanhol. Também morou por 45 dias na Alemanha pela AIESEC, promovendo estudantes de universidades brasileiras para empresas alemãs.

Vilson contabiliza ter visitado mais de vinte países, entre eles Inglaterra, Camboja e Índia, e discursou na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York. “Estar na AIESEC me mostrou que sim, você consegue mesmo conhecer pessoas diferentes e expandir sua visão de mundo.”

A eleição Quando chegou a hora de se candidatar à presidência, um emprego em tempo integral em São Paulo, Vilson montou uma plataforma baseada em quatro pilares: ter clareza de propósito e oferecer experiências únicas; crescer de maneira sustentável; produzir uma geração de changemakers; e incentivar o comportamento empreendedor.

“Eu queria garantir o tipo de membros que a AIESEC está formando e, com meu time, usamos o conceito de converter valores em ações para trabalhar essas pautas.” A ideia é ajudar um indivíduo a encontrar seu propósito, ter impacto social e ser um empreendedor em ações diárias que ajudem a mudar a sociedade.

Financeiramente, o desafio de gestão é grande. O grupo tem faturamento anual na casa dos milhões de reais e, só em janeiro, já lidou com mais de mil intercâmbios. “Crescemos de maneira substancial no Brasil, especialmente em numero de intercâmbios, que eram menos de 300 em 2009 e somaram 6,500 em 2015”, explica Vilson, que cita entre seus livros de liderança favoritos Empresas Feitas para Vencer, de Jim Collins, e Transformando Suor em Ouro, do treinador Bernardinho.

Competências e desafios Quando pensa no que um líder da AIESEC precisa, Vilson retoma o modelo de liderança da organização. Dividido em quatro pontos, ele inclui ser voltado para soluções, conhecer suas fortalezas e fraquezas, comunicar-se de maneira efetiva e, por fim, ser um cidadão global.

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Entre as dificuldades diárias estão problemas comuns em uma entidade grande, como gerenciar e priorizar diferentes áreas e criar estratégias com mais de cinquenta outros presidentes locais. Há também desafios burocráticos, como problemas de vistos de viagem, e desentendimentos culturais, que acontecem especialmente em países para onde brasileiros não costumam viajar.

“Você está ali como uma referência no país e é questionado o tempo todo sobre o que pensa. Isso é uma jornada interna de autoconhecimento”, fala. Embora muito do que aprendeu sobre gestão de pessoas tenha sido mesmo na prática, Vilson também conta com a ajuda de uma coach externa para aliviar a pressão.

“Às vezes é inacreditável”, diz ele sobre seu posto. “Você vira meio que um pop star na AIESEC, as pessoas te conhecem pelo nome em qualquer lugar do Brasil.” Com o trabalho, ele precisou aprender a tomar cuidado com a própria imagem. “É preciso entender o quanto sua palavra tem poder e saber que você está numa vitrine”, conta.

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Uma vez eleito – e jogado na piscina, conforme manda a tradição –, Vilson enfrentou o desafio de montar a própria equipe, a Mosaico. Vários dos vinte um integrantes também se mudaram para a capital paulista, onde a organização mantém uma casa e oferece auxílio financeiro. “Ser da diretoria é um sonho para esses membros e oferecer esse sonho é muito legal”, resume.

Planos futuros Com o fim de seu termo em julho, Vilson começa a pensar no que fará no futuro. Com a administração da AIESEC no currículo, ele quer garantir um lugar na diretoria internacional da entidade para continuar criando impacto no lugar que tanto gosta.

“Passei cinco anos falando muito sobre impacto e é algo que te molda como profissional e como jovem cidadão”, explica ele, que não pretende atuar como engenheiro por enquanto. “Desenvolvi esse lado de ver propósito no que faço, que é algo maior que o trabalho do dia a dia.”

Mesmo em meio ao ambiente incerto de crise, o mineiro se mantém otimista em relação ao Brasil – e sonha com o mesmo para outros jovens brasileiros. “O país só vai crescer e deixar de ser uma promessa se toda a juventude tiver oportunidade de ter uma carreira de impacto”, conclui.