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Por que um consultor decidiu começar uma empresa de filosofia?

Por Tradução do LinkedIn

Ryan Stelzer, cofundador da consultoria Strategy of Mind, explica a Teoria da Mente: por que matemática e humanidades devem andar juntas em empresas de sucesso?

Através de coaching para executivos, desenvolvimento de equipes e um programa de certificação, a consultoria Strategy of Mind garante que desenvolve e aprimora o “coeficiente humano” – composto por habilidades como consciência, inteligência emocional e pensamento estratégico.

Por trás da ideia está a importância de áreas das humanidades, como a filosofia, na cultura corporativa. Para explicar um pouco mais a ideia, o cofundador Ryan Stelzer – que já trabalhou na Casa Branca e se formou na Universidade de Cambridge, enquanto o parceiro David Brendel é um médico formado em Harvard – publicou um post no LinkedIn.

Confira a seguir:

Quando eu estava na pós-graduação estudando filosofia, nossa livraria universitária mudou de lugar. No caos da mudança, a loja criou seções temporárias e empilhou livros como peças de Jenga entre prateleiras de madeira parcialmente construídas. Após navegar cuidadosamente rumo à seção de filosofia (geralmente fácil de identificar graças à ausência de outras almas), fui imediatamente apresentado a uma das frases mais profundas que já li. Sem dúvida escrita por algum atendente numa tentativa de trazer ordem ao caos, duas placas diziam: “Matemática termina “e “Filosofia começa”.

Imediatamente tirei uma foto da placa, que continua sendo meu papel de parede no celular mesmo anos depois, quando trabalhava como consultor de gestão. Um dia, no trabalho, a frase me fez pensar sobre a natureza da consultoria. Usamos matemática para ajudar negócios lidarem com problemas complexos. Negócios lutam todos os dias em meio a muita incerteza, conforme são rotineiramente confrontados com o desconhecido. Exigem cálculos difíceis para prever resultados finais. A história mostra que, no entanto, apenas a matemática não consegue prever o sucesso ou fracasso de empresas.

Quando alguém estuda cases de consultorias usados em entrevistas, inevitavelmente chega ao acidente de celulares da operadora AT&T. Os detalhes surgiram na minha mente. No começo dos anos 1980, a AT&T buscou o conselho de consultores de gestão para decidir se deveriam ou não entrar no mercado de celulares. Usando previsões matemáticas, os consultores anteciparam que os celulares eram um mercado de nicho e a AT&T não deveria perder seu tempo com eles.

Leia mais: Como resolver ‘cases’ em processos seletivos de consultorias

Como a Digital Equipment Corporation (DEC), outra corporação que previu erroneamente que não haveria demanda por computadores pessoais nos anos 1960, a AT&T calculou mal em relação a uma das maiores inovações comerciais e tecnológicas de nossos tempos.

Isso aconteceu devido à confiança exclusiva que deram à matemática. A matemática nos diz como construir um telefone, mas tem dificuldade em dizer o que é um telefone e por que alguém deveria pagar por ele. Em outras palavras, a matemática termina.

Eu então comecei a explorar abordagens alternativas para resolver desafios complexos de negócios e cheguei à mesma conclusão que o atendente da livraria: quando a matemática termina, a filosofia começa.

Há uma série de organizações que auxiliam negócios a responderem questões que começam com “como”, e eu fazia parte de uma delas. Mas tive dificuldade em encontrar uma organização que ajudasse as empresas a se engajarem com questões igualmente importantes e que iam além de logística.

Dadas as circunstâncias de aumento rápido da globalização e um desenvolvimento tecnológico exponencialmente veloz, empresas vão precisar de ambas, matemática e filosofia, para se adaptarem e prosperarem no século 21.

Se qualquer gerente da AT&T tivesse lido o estudo de case do DEC e alguns trabalhos de Julio Verne, por exemplo, talvez a AT&T pudesse ter antecipado nossa fascinação coletiva com a tecnologia futurista.

Então, armado com esse conhecimento, deixei a consultoria de gestão e fiz uma parceria com o Dr. David Brendel, um pioneiro no espaço de neurohumanidades. Juntos, criamos uma empresa que usa ciências humanas e ciência cognitiva para ajudar organizações a operarem de maneira mais eficaz. Usamos treinamento filosófico para criar culturas de alta performance e, com a ajuda do Dr. Paul Zak, usamos matemática para medir os verdadeiros efeitos do treinamento.

Nossa receita para criar e sustentar culturas de tamanha performance é a aprimorarão coletiva de habilidades que integram a Teoria da Mente.

A Teoria da Mente, de modo geral, é a capacidade de entender o que está acontecendo na cabeça de outras pessoas. Seus sinônimos são empatia e inteligência emocional. Possuir habilidades avançadas de Teoria da Mente significa ter capacidade de conceitualizar o que os outros pensam e sentem, formar hipóteses sobre por que outros agem como agem, e apreciar dinâmicas emocionais e comportamentais complexas e em grupo.

Frequentemente leva a níveis superiores de pensamento estratégico, liderança e confiança dentro das empresas. O mundo dos negócios está começando a reconhecer a incrível importância da Teoria da Mente no contexto profissional. Tanto que executivos recentemente concordaram globalmente que essas habilidades são críticas para o sucesso no trabalho.

Pesquisas recentes também sugerem que o jeito mais eficaz de desenvolver e aprimorar a Teoria da Mente é ler e discutir grandes obras das ciências humanas. (Agora, graças às pessoas que não estudaram filosofia, os neurocientistas, eu finalmente posso explicar para meus pais porque eu escolhi essa área.)

As humanidades – que incluem filosofia, assim como literatura, história, arte e música – são geralmente caracterizadas como estudo da experiência e da cultura humana. Servem de maneira eficaz como estudos de cases como aqueles que eu li quando passava pelo processo de entrevistas para me tornar um consultor.

No entanto, ao invés de avaliar a matemática do acidente da AT&T, as humanidades vão um pouco além e desenvolvem habilidades interpessoais e analíticas superiores no leitor – muito mais que os casos calculados das escolas de negócios

As humanidades nos ajudam a ver o quadro maior e frequentemente mais complexo. Como escreve a Harvard Business Review: “Conhecimento sobre negócios pode ser adquirido em duas semanas… As pessoas treinadas em humanidades aprenderam a usar grandes conceitos e aplicar novas maneiras de pensar sobre problemas difíceis, que não podem ser analisados do jeito convencional”.

Conforme mais e mais empresas reconheçam a prosperidade desfrutada pelas companhias que usam tanto matemática quanto filosofia, vão ver que possuir a habilidade de entender o que acontece na mente de outras pessoas as coloca num patamar único para o sucesso futuro.

Profissionais agora precisarão aumentar seus cálculos matemáticos com os cálculos cognitivos encontrados em Platão, Shakespeare, Austen, Verne e Sun Tzu. Alguns líderes estão à frente da curva.

Jack Bogle, fundador da Vanguard, frequentemente buscava poesias para guiá-lo enquanto construía a empresa. Ele me contou numa ligação recente que “Ozymandias”, de Percy Bysshe Shelley, segue em sua mesa até hoje.

E é por isso que deixei uma consultoria de gestão para fundar uma empresa de filosofia: para ajudar aqueles que ainda não alavancaram o poder das humanidades para assegurar o sucesso continuo de suas organizações em nossa economia globalizada e altamente técnica.

Artigo originalmente publicado no LinkedIn e traduzido pelo Na Prática.

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