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Phil Libin

Phil Libin, cofundador do Evernote, traz lições para startups direto do Vale do Silício

Por Ana Pinho

Presidente executivo da startup e investidor nos EUA, o americano compartilhou seu modelo de negócios e elencou as tecnologias mais promissoras do momento

Phil Libin tem experiência nos dois lados do balcão. Como empreendedor, é cofundador e presidente executivo do Evernote, que funciona como um caderno online e tem cerca de 200 milhões de usuários. Como venture capitalist, trabalha no fundo de investimentos General Catalyst, que tem Snapchat, Kayak e Airbnb no portfólio, escolhendo startups para financiar.

Em sua palestra na HSM Expo, evento para executivos em São Paulo, ele começou falando sobre tradição. “O modelo econômico baseado na escassez diz que, se seu preço for menor que o valor percebido [pelo usuário], você deve tentar fechar essa lacuna a qualquer custo: é o que companhia aéreas fazem porque vêem que há dinheiro na mesa.”

Para startups, porém ele acha mais apta a teoria de Robert J. Dolan, professor da Harvard Business School que defende que se aumente o valor percebido e não o preço. “Você quer que essa lacuna entre os dois seja a maior possível para que sirva como uma motivação”, continuou. “Numa economia digital em que a atenção é disputada, essa é a diferença que no longo prazo cria a retenção de usuários.”

Tudo faz parte do modelo de negócios do Evernote, composto por apenas três gráficos que já conquistaram muitos investidores: um que mostra o número crescente de cadastrados, outro que comprova sua retenção e um terceiro que demonstra que, quanto mais tempo o usuário passa na plataforma, mais vê valor nela.

“É possível adquirir mais usuários com estratégias de crescimento, mas a métrica de retenção é algo que você não consegue comprar”, resumiu. A definição do preço em si, no entanto, não tem receita mágica. “Não temos ideia de qual é o preço ideal: é preciso testá-lo continuamente”, aconselhou.

Tecnologias do futuro

Libin disse que teve a ideia para o Evernote depois de segurar o primeiro iPhone nas mãos, em 2007. Ali estavam boas versões de tecnologias que já circulavam há um tempo, como touch screen, computação em nuvem e implementação de aplicativos. “Quando olhei para aquilo, senti que os próximos cinco anos fariam sentido”, lembra.

Com toda sua vivência no Vale do Silício, o americano explicou que ele não tirou a teoria do chapéu: a tecnologia tem ápices cíclicos. Ela surge primeiro em laboratórios e ambientes acadêmicos, passa para os early adopters e eventualmente se torna suficientemente boa para ser comercializada, usada por empreendedores e cresce de maneira exponencial.

Gráfico de desenvolvimento tecnológico de Phil Libin
[Openspace]

São nos períodos mornos dessa curva em forma de S, contou, que as grandes empresas tecnológicas aparecem. A Amazon, por exemplo, surgiu nos anos 1990 quando a internet se tornou comercialmente viável. O Google apareceu nos anos 2000 graças aos melhores sistemas de busca e pagamentos. E em 2007, ápice mais recente, o desenvolvimento dos dispositivos móveis, redes sociais e Big Data trouxeram sucessos como Dropbox, Uber, Airbnb e o próprio Evernote.

Essa é a estrutura de pensamento que ele utiliza na hora de avaliar startups como venture capitalist. “As pessoas sempre dizem que estourou a bolha quando as coisas se acalmam, mas na verdade tudo está por aí”, resume. Só não está pronto ainda – e criar a empresa ou investir nela na hora certa faz toda a diferença.

Atualmente, Libin observa com atenção o desenvolvimento de NPLs (processamento de linguagem natural), aplicativos de mensagem, drones, realidade virtual, internet das coisas, APIs (interface de programação de aplicativos) e machine learning, quando a máquina aprende sozinha.

Leia também: Como é a cultura do Vale do Silício explicada por quem vive lá

Em conjunto, acredita, tais tecnologias vão criar uma melhor experiência para o usuário, em que ele interage com objetos de maneira mais natural. No lugar de botões, usará comandos de voz, por exemplo. “Como escrevemos, lemos e dirigimos – ou não dirigimos – vai mudar de acordo com esses avanços”, disse.

(Ele guarda no bolso outras tecnologias, como realidade aumentada, carros autônomos e computação quântica, para olhar com cuidado daqui cinco anos. “São promissoras, mas ainda não estão prontas!”)

E caso você encontre Libin na rua, qual seria o pitch perfeito? “Diga-me como será o mundo se sua companhia for bem sucedida e por que eu gostaria de morar nele”, aconselhou. “É bem fácil excluir empreendimentos usando só essa pergunta como base.”

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