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Cerimônia de formatura vista de cima

O que muda com uma pós-graduação no currículo?

Por Ana Pinho

Recrutadores e ex-alunos falam sobre o impacto que esses tipos de curso têm na carreira de um jovem profissional

“Pagar uma pós-graduação não é o mesmo que pagar um carro”, começa Márcio Souza, coach de orientação profissional. Ou seja, não se trata de um bem tangível: é uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional, que exige uma série de outras reflexões.

“Não recomendo que ninguém faça um curso porque acha que vai resultar em emprego”, continua Márcio. “É seu envolvimento com os estudos que determina seu aprendizado. As certificações são um caminho pra melhorar, e às vezes as pessoas invertem as coisas.”

Afinal, há cursos no Brasil que chegam a custar mais de R$ 100 mil – e de nada adianta, dizem recrutadores, fazê-lo na esperança de encontrar um caminho mais tranquilo depois do selo. Diante desses fatores, a pergunta é válida: qual é o impacto de uma pós-graduação na carreira?

“Tudo é analisado dentro de um contexto mais amplo, em que o recrutador procura diferentes elementos da formação pessoal e profissional daquele indivíduo”, diz Renato Furtado, cofundador da empresa de serviços de recrutamento Demandolx Furtado. “Isoladamente, nada disso é muito relevante.”

André Abram, headhunter da multinacional Egon Zehnder, concorda. “É difícil ganhar ponto com curso. O que ganha ponto é a capacidade de ter conquistas e demonstrar habilidades”, fala. “Uma boa instituição no currículo vai gerar certa expectativa, mas não é nada garantido.”

Situações possíveis

Os profissionais oferecem situações hipotéticas que podem ser esclarecedoras para jovens em busca de um norte. Uma pessoa que se formou em uma faculdade menos reconhecida, por exemplo, mas que obtém um mestrado numa instituição de primeira linha influencia o quadro de maneira positiva. “Eu quero entender essa transição”, explica Renato.

Alguém que engata uma ótima graduação com uma pós excepcional confirma o quadro positivo, mas não o influencia tanto. Quem escolhe se especializar em outra área para dar uma guinada na carreira (pense em alguém de humanas que faz um mestrado em exatas) suscita a curiosidade do recrutador.

Leia também: Como é a carreira de headhunter?

Há também quem tenha assumido uma nova posição e precise angariar ou reforçar conhecimentos (o que justifica o investimento em especializações) e aqueles que preferem investir em um bom mestrado profissional no Brasil, mesmo que o custo seja alto – às vezes metade de um MBA no exterior.

Para quem não tem os meios financeiros de investir numa pós ainda, há outras alternativas para deixar seu currículo mais atraente.

É possível pedir mais responsabilidades na empresa ou mesmo fazer sua própria de aceleração profissional, como criar um grupo de estudos de case, assumir um projeto experimental fora do trabalho e fazer cursos pontuais, que são mais baratos.

Tudo, porém, depende da história profissional por trás do papel e como isso informa o horizonte profissional. “Se a pessoa fez três pós-graduações no meio da carreira e não avançou, vou achar que ela estava desfocada”, avisa André.

Visão de carreira é ponto chave

Consenso entre especialistas é que, para ter impacto real na carreira, é preciso ter onde aplicar os novos conhecimentos na prática – e por isso a escolha da pós-graduação certa é crucial.

Não adianta basear-se apenas no prestígio da instituição e esperar que um selo magicamente abra portas.

“Do ponto de vista de preparação para a carreira, um curso de pós como um certificate acaba abrindo o leque do profissional para que faça mais coisas do que normalmente faz”, diz Guy Cliquet, coordenador geral de cursos lato sensu do Insper, citando cursos especializados que duram cerca de um ano e meio e tem aulas duas vezes por semana. “Ele sai com uma cabeça mais aberta e uma empregabilidade maior.”

Como as opções são muitas e diversas – há mestrados acadêmicos, profissionais, certificates, especializações e o HBX CORe, curso online intensivo da Harvard Business School que custa US$ 1950 e ganha cada vez mais notabilidade –, uma das sugestões para traçar um plano realista de desenvolvimento profissional é conversar com o departamento de Recursos Humanos da empresa.

André Abram
[O headhunter André Abram / Acervo pessoal]

Que novas técnicas e ferramentas seriam úteis em sua função? Que novos desafios poderiam ser oferecidos? Que áreas poderiam se abrir com novos conhecimentos? Qual é o próximo passo e como se preparar para ele?

Márcio também sugere pesquisar os currículos de pessoas que tenham cargos similares aos almejados e analisá-los. “Você quer trabalhar com gestão e produção numa empresa de grande porte e todos os gestores têm tal tipo de curso?”, indaga ele. “OK, então comece a pensar nisso.” 

“Uma pós impressiona mais quando a pessoa tem visão de carreira”, resume André Abram. “É o motivo que impressiona, quando ela tem perspectiva e corre atrás do que quer.”

A experiência de quem fez

Aluno do mestrado profissional de Administração da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), Samuel Carvalho viu, já um mês depois, o impacto que o HBX CORe – que integra o currículo dos mestrandos de administração da faculdade – teve em sua carreira.

Fechou as lacunas de conhecimento que lhe faltavam para empreender e abriu, com dois sócios, uma consultoria de estratégia para empresas de tecnologia. Pouco depois de concluir o curso, numa conversa sobre conceitos de negócios, impressionou um Chief Marketing Officer (CMO) da área e foi convidado a participar do processo seletivo.

“O curso mudou o foco da minha tese e rendeu insights para abordar assuntos importantes de maneira diferente”, conta ele, que buscou o mestrado profissional para manter-se no Brasil e solidificar sua formação acadêmica. (Um mestrado no país, vale lembrar, também abre portas para quem quiser ser professor.)

Samuel Carvalho
[Samuel Carvalho / Acervo pessoal]

Já o engenheiro Rodrigo Perez Duarte iniciou seu Certificate in Business Administration (CBA) no Insper em 2005, quatro anos após se formar. “Minha formação era muito técnica e eu queria ampliar horizontes em questões relacionadas à gestão e administração”, conta, destacando que o curso é voltado para recém-formados ou profissionais com pouca experiência na área.

Logo após terminá-lo, Rodrigo começou a trabalhar como gerente de contratos na Centro de Tecnologia de Edificações. “Creio que não houve impacto em relação à empregabilidade – o curso talvez tenha sido apenas um diferencial –, mas houve grande impacto na minha carreira com a aplicação do aprendizado no dia a dia de fato”, fala ele.

Cecília Araújo, coordenadora de conteúdo da Fundação Estudar que fez o HBX CORe por conta própria, destaca o mesmo ponto. “Um dos grandes benefícios foi adquirir um entendimento maior de algumas áreas com que tinha pouca familiaridade, além de conhecer um pouco da metodologia online – bastante interativa e focada em cases – da Harvard Business School”, conta.

Na rotina pós-curso (o HBX CORe exige entre 15 e 20 horas de dedicação semanal), ela notou estar mais produtiva e atenta a uma visão mais holística da organização.

Inscreva-se no curso por e-mail: O que ninguém te ensina na hora de fazer um currículo excelente

“Por mais que eu não trabalhe diretamente com finanças, foi importante para entender minimamente como funciona a área, o que colaborou para tomadas de decisão mais assertivas como gestora de projetos com custos e despesas relevantes”, explica ela.

Outro engenheiro, Guilherme Amorim, mestre em Administração pela FGV-SP e dono de um MBA na área do Insper, viu resultados sólidos após investir nos estudos.

“Não houve nenhuma matéria que não fosse completamente aplicável no cotidiano”, fala ele sobre o mestrado, feito quando trabalhava como analista financeiro em uma incorporadora de imóveis. Hoje, é coordenador de controle e planejamento em uma grande empresa de editoração.

“Ter uma formação tão diversificada como a que eu tenho pesa a favor em um processo seletivo”, aposta. “Na empresa em que eu estava há pouco, respondia diretamente ao presidente da empresa, que enaltecia o fato de eu ser engenheiro. E quando fiz o processo seletivo para meu trabalho atual, contou muito a favor o fato de ter um currículo que exibe grandes escolas, como Unicamp, FGV e Insper, mas também a diversidade de formação.”

Questão de timing

Além de escolher o curso certo, é também preciso estar atento ao momento certo.

Beatriz Queiroz, colega de Samuel, buscou o mestrado profissional da FGV para suprir lacunas. Responsável pela parte de operações no Brasil da startup de educação Voxy, ela queria estar mais preparada para os desafios e aspectos estratégicos do trabalho.

Embora o HBX CORe seja indicado para recém-formados, diz ela, um mestrado profissional exige um momento diferente.

“É preciso ter um pouco de experiência profissional para entender a aplicação do conteúdo”, fala. “As discussões e o nível das pessoas são de perfil mais sênior e, se você não souber o que é, não tira muito proveito nem consegue colaborar.”

A convivência e colaboração com alunos de alto nível oferecidas pelos melhores cursos são pontos de destaque também para os recrutadores.

“Ter gente boa é inspirador e faz com que você fique humilde”, diz André Abram. “Então busque uma turma com quem você se identifique.”

“Como participam de discussões e veem pontos de vista diferentes, os alunos acabam melhorando ou aperfeiçoando as visões que têm ao defender ideias”, ecoa Guy Cliquet. “A comunicação melhora muito, a argumentação fica mais rica – e a contribuição também.”

Valor da conquista

A questão da conquista (e da dificuldade da conquista) são de grande interesse para recrutadores. “O que chama atenção é a intensidade”, fala André. “Uma coisa difícil tem sua valorização.”

Após superar uma grande dificuldade, continua o headhunter, o indivíduo cresce, percebe que pode mais, domina um número maior de assuntos e pode entrar numa espiral positiva. “Uma coletânea de experiências é muito mais rica que um conhecimento acadêmico puro”, conclui.

Segundo Guy Cliquet, não existem dados formais sobre o impacto da pós-graduação na carreira do jovem. No entanto, ele verifica que metade dos analistas formados na instituição ocupam cargos de gerência quatro anos depois.

“Estudos indicam que 50% do mérito de qualquer evolução profissional é do próprio candidato”, avisa. “Dos restantes, é possível que cerca de 20 ou 25% sejam ligados às instituições em que ele estudou. Mesmo assim, foram escolhidos os mais capazes. Não podemos dizer que, porque ele estudou aqui, vai ganhar de todo mundo. É uma parte da história.”

Leia também: O que você precisa saber antes de decidir sua carreira

 

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