Um Projeto: Fundação Estudar
Presidentes da Embrapa e Embraer em evento de 25 anos da fundacao estudar

‘O futuro se faz a cada dia’, diz ex-presidente da Embraer sobre inovação

Por Ana Pinho

Presidente da Embrapa e ex-presidente da Embraer discutem como implementar e fomentar inovações em empresas de grande porte, sem descuidar do cotidiano; palestra faz parte da comemoração de 25 anos da Fundação Estudar

Representantes de dois importantes setores da economia brasileira, Maurício Antônio Lopes e Maurício Botelho (presidente da Embrapa e ex-presidente de conselho da Embraer, respectivamente) concordam depressa com uma coisa: inovação e adaptação devem andar lado a lado, complementando-se.

“É complicado ir só numa direção ou noutra”, disse Lopes durante Encontro de 25 anos da Fundação Estudar, em São Paulo. Além do nome, os dois têm em comum a liderança de organizações que tornaram-se referência de inovação em seus setores, investindo em pesquisa no setor agrícola e tecnologia de ponta na aviação. “Não dá pra fazer mudanças radicais o tempo todo, mas não podemos perder de vista a mudança de paradigmas”, alerta Lopes. 

Durante o evento, os dois empresários participaram de um painel mediado pela jornalista Cris Correa sobre Conhecimento Aplicado, um dos valores da Fundação Estudar, e explicaram como o investimento em inovação pode tornar-se uma poderosa ferramenta de transformação.

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Equilíbrio A chave para criar esse balanço entre inovação e adaptação, no caso deles, é observar a temperatura do mercado – e manter um calendário de longo prazo muito bem planejado, em que pesquisa e tecnologia podem ser desenvolvidas para transformar o cenário. 

Hoje terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, a Embraer, há anos uma empresa privada de capital aberto, estima todos retornos possíveis antes de tomar suas decisões, dando atenção especial aos acionistas. Botelho esteve envolvido de perto na definição desse perfil para a empresa. Engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, ele assumiu o comando da Embraer pouco depois da sua privatização, sem nunca ter trabalhado antes nessa indústria. Mesmo assim, foi ele quem conduziu o processo que consolidou a Embraer, entre 1995 e 2007, como uma das maiores indústrias aeronáuticas do mundo e um símbolo de modernidade e eficiência.

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[Luis Felipe Moura]

Num setor tremendamente competitivo e que trabalha com produtos de médio e longo prazo – do começo ao fim, a encomenda de um avião leva cerca de dois anos –, no entanto, manter-se sempre do mesmo jeito não é uma opção. “O futuro se faz a cada dia, não tem jeito”, disse Botelho. “Um projeto pode até levar seis anos para de fato obter receita, mas temos que entregar resultado até lá. As coisas não estão isoladas e não adianta inovar e esquecer que se tem uma empresa com responsabilidades.”

Diferentes medidas É onde entra o que Lopes chama de lógica de portfólio. “São alvos de curto, médio e longo prazo. Assim trabalhamos para entregar resultados de maneira sistemática e continuada, tendo o longo prazo como grande desafio.” 

E é no futuro que cabem as grandes inovações de porte, que não surgem de surpresa. “Para uma instituição como a nossa, o futuro é um dos principais insumos e precisamos captar seus sinais”, continua. Além de atuar numa indústria que representa um quarto da economia nacional e emprega 37% dos cidadãos, a Embrapa enxerga também uma revolução agrícola no horizonte: a edição de genomas, capaz de mudar a conformação e modular características de plantas e animais de forma extremamente precisa.

À frente de um case mundial de empresa estatal de primeira linha, Lopes não pretende deixar a bola passar. Além disso, quer atrair e reter novos talentos, que costumam buscar áreas inovadoras.

“A agricultura moderna é uma exceção nesse momento de crise no Brasil”, falou, citando a chegada de novos investimentos e corporações estrangeiras no país. “Estamos entrando rapidamente na lógica digital e isso é um fator muito importante na atração de jovens profissionais, que tem um visão diferenciada do mundo rural.”

A fuga de cérebros e o “roubo” de talentos é uma preocupação constante para qualquer empresa competitiva, que precisa criar condições atraentes – e inovar – para mantê-los.

“É um desafio permanente”, disse Botelho, lembrando que a Embraer sofreu diversos ataques do exterior. “Não é só dinheiro. É preciso oferecer motivação, integração e visão, conectada à realização pessoal de se estar de fato desenvolvendo e entregando coisas de valor para a sociedade.”

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