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trabalhar com meio ambiente

Trabalhar com meio ambiente é para você?

Por Suria Barbosa

Diretor da Onçafari e gerente na SOS Pantanal, Leonardo Gomes explica as principais particularidades de trabalhar em organizações ligadas ao meio ambiente - de mitos à características valiosas para os profissionais.

Trabalhar com meio ambiente pode ser muito recompensador e definitivamente está ligado a um problema mundial complexo e urgente. “Em geral quem atua no setor são pessoas muito apaixonadas pelo que fazem, que têm o negócio como uma causa de vida”, conta Leonardo Gomes, diretor na Onçafari e gerente de projetos na SOS Pantanal.

A paixão é o caso de si próprio, que desde muito jovem desenvolve forte sensibilidade a temas como conservação da natureza, emergência climática, espécies ameaçadas e tragédias ambientais: “isso tudo sempre me tocou muito.”

A Onçafari é focada na conservação e desenvolvimento socieconômico. Para isso, trabalha investindo em ecoturismo e pesquisa, com foco no potencial de geração de renda para as populações locais, algo que acaba sendo uma forma de também trazer mais aliados para a causa. O mote é “fazer a floresta valer mais de pé do que deitada”.

Por meio de advocacy (esforços de influência na formulação de políticas públicas e na alocação de recursos), a SOS Pantanal, por sua vez, busca ajudar a conservar o bioma, além de engajar a população no tema e “colocar o pantanal no mapa.”

Sera que você se encaixaria bem nesse ramo? Conheça algumas particularidades de trabalhar com meio ambiente!

8 fatos sobre trabalhar com meio ambiente

#1 A área ambiental é interdisciplinar

“A conservação do ambiente está relacionada ao acesso à habitação, à água, à energia, à educação, participação social…”, explica o diretor. “São frentes influenciadas e contempladas pelos debates ambientais, pela formulação de políticas públicas e pela atuação, que é das mais variadas.”

Nesse campo, é possível trabalhar com conservação, floresta, fauna, ecossistema, energia limpa, recursos hídricos, educação ambiental, políticas públicas, apenas para citar algumas possibilidades.

Existem oportunidades desde em organizações não governamentais (ONGs) até áreas de responsabilidade social dentro de grandes empresas.

#2 O perfil dos profissionais também leva em conta a interdisciplinaridade

“Percebi que me alinhava com o perfil de quem trabalha na área, que é alguém curioso sobre temas muito diferentes, que gosta de lidar em contextos e pessoas muito diferentes e que tem visão interdisciplinar”, lembra o gerente de projetos na SOS Pantanal.

Segundo ele, é indispensável ter capacidade de lidar com (e interesse pela) interdisciplinaridade, traduzida em atributos como curiosidade e abertura. “Você está o tempo todo transitando entre uma visão mais generalista e mais especialista.”

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#3 Incutir o “senso de urgência” é uma prioridade

No debate acerca das causas ambientais, um dos desafios é incentivar o senso de urgência dos temas por conta do fator “longo prazo”. “As pessoas têm dificuldade de se sensibilizar ou de pensar nas consequências do longo prazo no agora”, explica.

Quem trabalha com meio ambiente têm, de forma geral, a necessidade de traduzir tal visão macro e consequências distantes para o dia a dia a fim de conseguir gerar mudanças nas ações e aliados.

#4 Paciência e resiliência são requisitos

Trabalhar com meio ambiente é lidar com transformações que acontecem no decorrer de anos, muitas vezes, e não “do dia para a noite”. Com ciclos de implementação, acompanhamento e resultados mais lentos, os profissionais precisam ser resilientes para não desanimar.

#5 O trabalho é em rede

“Primeiro, é preciso lidar com pessoas de perfis muito diferentes”, afirma Gomes. Além disso, as organizações do ramo costumam ser interdependentes. “Dificilmente uma organização é autossuficiente na execução de um projeto. Geralmente, se atua em consórcio com outras.”

Por isso, a capacidade de trabalhar com diferentes pessoas e instituições é valiosa.

#6 O Brasil tem boas bases

De acordo com o diretor na Onçafari, “o conjunto de políticas públicas do Brasil na área ambiental ainda é um dos mais sólidos do mundo.” Também há bastante consistência no que vem sendo construído – em políticas públicas, organizações e pesquisas, por exemplo – independentemente do governo.

A execução, no entanto, apresenta desafios. Tanto pelas dimensões continentais do país, quanto por sua diversidade. “Demanda conscientização, participação da sociedade civil, e nem sempre é feito da maneira mais adequada ou com os recursos suficientes. Mas, de qualquer forma, o caminho que o país vem trilhando é de referência na área.”

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#7 Burocracia e recursos são entraves

“Existe muita burocracia para regularizar e submeter projetos, captar recursos”, destaca Gomes. “Quando se fala do terceiro setor, não são todas as organizações que têm robustez e capacidade de mobilização de recursos para iniciativas grandes.”

Outra questão que pode ser um obstáculo para essas instituições é a falta de profissionalização da gestão, segundo ele.

#8 É preciso lidar com a mentalidade comum de que agronegócio e conservação são contrários

“Há casos hoje de fazendas agropecuárias que têm certificados de carbono zero ou carbono negativo”, diz Gomes, “dá para fazer, desde que respeitadas as políticas em relação à conservação e à proteção ambiental.”

“Dá para ser uma potência do agro e ser o país que mais conserva floresta no mundo também.”

Saiba mais

Para quem quer se inteirar mais sobre o setor, o diretor do Onçafari recomenda formações online do Coursera, especialmente “A Era do Desenvolvimento Sustentável”, de Jeffrey Sachs.

Além disso, indica a leitura de documentos relevantes sobre o tema – como o Protocolo de Kyoto e o relatório do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) – e o documentário “Seremos História?” (Before The Flood).

 

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