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Como a inovação acontece dentro de grandes empresas?

Por Por Portal DRAFT

O que as grandes empresas fazem para inovar? Leia na entrevista completa com Rony Sato, gerente de Tecnologia e Inovação da Basf Brasil

Continuidade. Este é o conceito mais marcante da conversa com Rony Sato, gerente de Tecnologia e Inovação para a América do Sul e principal guia pelos caminhos de inovação dentro da Basf Brasil. A perpetuação de cada uma das iniciativas e canais de discussão e coleta de ideias lançados ao longo dos anos pode explicar por que a empresa figura entre as mais inovadoras do mundo.

A pesquisa Best Innovator, feita em 15 países (no Brasil, com o apoio da Época Negócios) elegeu a Basfcomo a 3º mais inovadora. Mas Rony acredita que a continuidade não seria tão importante se, por trás dela, o objetivo maior não fosse a cultura de formação de massa crítica dentro da empresa: “É importante garantir um ambiente para cultura de inovação que também atenda às expectativas e seja um feedback para o colaborador, que verifique sua implementação e mostre qual foi o benefício gerado”

Corroboram esta visão o Programa Eureka (um canal interno de sugestões que existe há 34 anos vinculado à área de Excelência Operacional, dentro do qual são constantemente feitos benchmarkings de inovação); os workshops realizados pelas áreas de negócios, com interação com clientes e fornecedores; as discussões doBusiness Model Innovation com intuito de estabelecer processos inovadores; e, também, um programa de capacitação chamado Innovation Academy que introduz a relevância do tema inovação para novos colaboradores e também dá suporte às áreas na busca de novas ideias e conceitos.

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Rony está na empresa há 15 anos e participou da formatação do departamento de Tecnologia e Inovação, em meados de 2010. Antes, existiam iniciativas isoladas dentro das áreas de negócios, caso da Suvinil (marca de tintas imobiliárias da Basf), a primeira que estabeleceu uma área de gestão de inovação, em 2008. “A iniciativa da Suvinil ajudou a posicioná-la no mercado como pioneira em tendências e tecnologia. A partir daí a preocupação com gestão em inovação se disseminou para outras áreas”, conta.

Se fosse para eleger a data inaugural em que a gestão da inovação entrou em destaque na rotina da Basf, Rony diria que foi com o estabelecimento do Top Ciência (iniciativa bianual para fomentar projetos de pesquisa em parceria com outras instituições e cientistas) há dez anos, em 2006. O Top Ciência contribuiu ativamente para o surgimento do conceito de negócio “AgCelence”, que elenca o efeito fisiológico benéfico de um produto e, hoje, ampara grande parte do portfólio da Basf. Tudo começou com o lançamento de um fungicida que deixava um efeito colateral… benéfico, especialmente na cultura de soja. Os especialistas do Top Ciência aprofundaram o estudo sobre esse produto e ainda aumentaram o número de culturas envolvidas na discussão.

“Depois da soja, a empresa passou a prestar mais atenção à cultura regional da cana-de-açúcar, o que resultou numa série de outras soluções”, conta Rony. Uma delas é o Digilab, umsistema portátil de imagem, atualmente incorporado ao smartphone como aplicativo, com o qual o agricultor pode identificar e comunicar uma infestação, compartilhando as evidências dos efeitos causados.

Como gerir a inovação A Basf é fornecedora de diversos segmentos industriais e sua estratégia global é perceber quais são as demandas do mercado (market pulls), identificar soluções e desafios e posicionar a empresa direcionando a trilha tecnológica para atender a essas demandas. “A gente chama esse processo de technology push.Trabalhamos para fazer o casamento das competências tecnológicas que precisamos fortalecer ou desenvolver para atender ao mercado”, afirma o gestor. A identificação de soluções passa também pelo rastreamento de clientes com necessidades novas.

Para um projeto chegar ao funil de inovação da Basf há vários trajetos, mas todos passam pela área de Rony para um alinhamento porque, em geral, são iniciativas transversais que envolvem mais de uma área de negócio: “Para gerir a inovação, temos de fazer a ponte, a conexão, entre a demanda e a área competente para atendê-la”.

Ele chama essa atividade de Knowledge Broker, ou corretagem de conhecimento. Um exemplo emblemático dessa “corretagem” é o Technology Scouting, espécie de radar de novidades e parcerias feito por duas subsidiárias: Basf New Business e Basf Venture Capital e acompanhado de perto pelo time de Rony e seus pares mundo afora. As subsidiárias identificam as tendências tecnológicas e de mercado e depois procuram a empresa de tecnologia que pode ter aderência com a estratégia da Basf. Rony diz que a partir daí há diversas possibilidades: “Podemos fazer aporte de capital, aquisição da empresa, licenciamento de tecnologia, acordo de desenvolvimento conjunto, aquisição de patentes… Depende do processo de análise”.

A parte de Venture Capital faz investimentos de seed capital nas empresas encontradas – sejam elas startups novas ou em estágio intermediário de crescimento. Já a parte de New Business trabalha pesquisando quais as empresas que merecem atenção especial e justificam uma possível incorporação.

A Basf não informa o orçamento da área de Tecnologia e Inovação, mas aponta um caso recente de scouting (apadrinhamento de uma empresa) que aconteceu na área de Personal Care do Brasil, com a cocriação de uma nova matéria-prima surfactante (elemento que proporciona espuma rica e suave em produtos como xampus, sabonetes líquidos e detergentes). Ariane Marques, responsável pelo Marketing de Hair Care & Color Care da Basf para América do Sul conta: “A partir de radares de parcerias, encontramos uma excelente oportunidade para desenvolver um produto inovador e colocar no mercado uma solução tradicional baseada em fontes renováveis”.

A solução foi desenvolvida durante um ano e meio junto com a empresa de biotecnologia norte-americana Solazyme e o time deles aqui no Brasil. O novo produto, chamado DEHYTON® AO 45, é uma betaína diferente das demais por ser produzida com óleos de microalgas em processo de fermentação da cana-de-açúcar, com baixa emissão de carbono e menor impacto de uso de água e terra.

O lançamento do novo produto para o mercado brasileiro ocorreu em setembro de 2015, durante a in-cosmetics Brasil, na qual foi o grande vencedor do 1º Prêmio ITEHPEC de Inovação, realizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC). “Tivemos grande interesse de diversas empresas do mercado cosmético, com solicitação de amostras para teste do produto em formulações”, conta Ariane. No entanto, como se trata de uma inovação e um lançamento muito recente, o tempo de chegada até o consumidor pode ser de até um ano, devido ao processo de aprovação e desenvolvimento das novas fórmulas.

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O futuro está na cocriação Quando completou 150 anos, no ano passado, a Basf, em vez de apenas celebrar a data, pensou em maneiras de apresentar alguma contribuição maior para sociedade. A empresa optou por gerar uma herança de cocriação de soluções e impulsão da inovação criando o programa mundial Creator Space, que trabalha com temas como vida urbana e adensamento populacional; produção sustentável de alimentos e desperdício; e energia inteligente. A edição brasileira focou na temática da redução da perda de alimentos e desperdício. Inúmeros meios e metodologias foram utilizados para catalisar o programa, desde atividades presenciais até desafios virtuais.

Em busca de solucionadores (que podem ser empresas, acadêmicos ou universitários) o programa tenta trazer para a vida real a visão da empresa, como Rony diz: “Na Basf, enxergamos a química como possibilitadora do desenvolvimento de soluções para esses desafios”. Todas as iniciativas cocriadas foram avaliadas. Algumas chegarão à apreciação do corpo diretor, ainda no início deste ano, que decidirá quais receberão investimento para implementação. Possivelmente, em breve, haverá mais notícias sobre novos produtos. A inovação não pode parar.

 

Este artigo foi originalmente publicado em DRAFT


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