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Visitar o Vale do Silício

4 lições de inovação e empreendedorismo que aprendi no Vale do Silício

Por Colunista do Na Prática

O Vale do Silício foi o berço de várias das empresas que impactaram o mundo com inovações - como Apple, Facebook, Google. Confira relato de quem já o visitou sobre as culturas empresariais, inovações e relações de negócios.

As missões para hubs de inovação estão cada vez mais populares entre os brasileiros, seja por curiosidade de conhecer o novo ou pela vontade de fomentar inovação em suas empresas no Brasil. Na semana do dia 2 de abril realizei a “Silicon Valley Experience”, na qual 26 associados da AB2L (Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs) embarcaram para cinco dias em contato com mais de 15 empresas e palestrantes no marco de inovação.

Além de absorver muito conteúdo em termos de cultura, inovação, tecnologia, empreendedorismo, o futuro da advocacia e o dia a dia no Vale, também pude vivenciar algumas outras experiências como almoços em lugares icônicos como no Buck’s of Woodside, (onde alguns deals importantes foram fechados) e no Umami, onde provei o Impossible Burguer (um hambúrguer feito de plantas), além de termos dirigido um Tesla.

O que aprendi ao visitar o Vale do Silício (por uma semana)?

#1 Cultura

A cultura de grandes empresas do Vale é muito forte. Isso ocorre porque ela é definida, instituída e seguida desde o começo, desde a sua fundação. Isso ficou claro quando visitamos a SalesForce, criada pelo Marc Benioff logo após ter voltado de um período sabático no Havaí. A empresa teve a sua cultura definida e influenciada por essa vivência de seu fundador. Vemos claramente esses marcos já no lobby da empresa, no qual você encontra mascotes e um ambiente acolhedor. Eles chamam a sua cultura de Ohana, que significa “família”no Havaí.


Um outro exemplo de cultura forte que conhecemos foi a do Google. Lá conversamos com a responsável por project management com foco na área de Gente e em diversidade. Eles valorizam muito a transparência e a confiança entre os C-Levels e o restante do time. Para walk the talk desses pontos eles fazem reuniões semanais entre os fundadores e toda a empresa – quem está em San Francisco assiste a reunião presencialmente e o restante do mundo entra via call. Nessa reunião os fundadores dividem os planos para o futuro da empresa, os novos negócios, investimentos etc. No fim da reunião eles abrem para perguntas e deixam os funcionários livres para discordar e opinar do que foi falado.

Leia mais: Vale do Silício ou Costa Leste dos EUA: qual é o ambiente mais inovador?

Por último, uma cultura bem diferente do que estamos acostumadas a ver em empresas brasileiras é a do Netflix. Eles têm a teoria de que a melhor opção para lidar com o caos que é criado quando empresas crescem é recrutando talentos e não criando processos. Ou seja, a empresa é focada em pessoas e não em processos.

Sede da Netflix no Vale do Silício / Reprodução

 

Uma brincadeira comum é que só trabalha na Netflix quem é “gente grande” (organizado, responsável, comprometido) e que tem como foco a empresa acima de sua individualidade. Dessa forma, são capazes de tomar decisões positivas para a companhia. Com esse mindset fica muito mais fácil para se trabalhar de acordo com a estrutura, baseada em autonomia, em que a organização se dá. Eles não têm regras, não têm orçamento, período de férias, período para licença maternidade. Cada um é responsável pelos seus gastos, treinamentos, férias e pelas suas próprias entregas. O time trabalha como squads e não de forma hierárquica, tornando a comunicação e entregas muito mais fluidas.

#2 Como funcionam as relações entre pessoas

Ao visitar o Vale do Silício, notei que todos são muito abertos para ajudar, compartilhar e te conectar com outras pessoas. É bem diferente daqui, onde as pessoas podem ser um pouco mais frias e indagarem quem é você, da onde vem etc.

A história da Barbara, da Babel Ventures, deixou essa característica das pessoas do Vale bem clara. Quando montou seu venture capital, no ano passado, ela disse que não conhecia muita gente mas sempre mostrava que tinha vontade de crescer e acertar, e isso foi o suficiente para abrir muitas portas na época.

Conversamos também com alguns empreendedores (Casetext, Atrium) e aceleradoras (Plug and Play e GSV Labs) e todos se mostraram muito humildes, descontraídos e dispostos a nos ajudar.

#3 Nível de inovação

Imagine tudo o que você sabe sobre inovação. Imaginou? Então, isso não é nem 10% do que existe no Vale. O lugar respira inovação e cria negócios o tempo todo. Inclusive, “negócios” físicos, como os patinetes elétricos da Bird que vi espalhados pela cidade – até negócios de block chain e inteligência artificial para ler contratos e eliminar o paralegal de escritórios. Todos os prédios que são construídos em San Francisco hoje são modelados antes no Autodesk, para que sua viabilidade seja avaliada, por exemplo.

Patinetes elétricos da empresa Bird / Reprodução

 

Ao se falar de inovação é impossível deixar de mencionar a Tesla. A empresa já está para lançar o seu quinto modelo de carro que funciona à bateria, com tecnologia de self-driving e muitas outras funcionalidades avançadas. Além dos carros a empresa também tem um braço focado em energias renováveis para a sua casa, a Tesla Energy.

Na vertente de educação, conhecemos a Draper University. Como o nome já diz, é uma universidade criada por Tim Draper, um dos maiores investidores do Vale. A escola acelera startups em estágio inicial, pré investimento e durante todo o processo educa os empreendedores com informações necessárias para sobreviverem pós-Draper: como fazer o valuation da sua empresa, como realizar um pitch para investidores, survival week etc.

#4 Oportunidades para brasileiros

Há alguns facilitadores para brasileiros que trabalham para aproximá-las ao ecossistema do Vale. Um deles é o Latin SF, que atendem tanto startups brasileiras, como empresas e investidores. Eles auxiliam em como montar uma apresentação para outras startups ou investidores de lá, cedem espaço no prédio deles se necessário, entre outros.

A Draper também tem um curso para empreendedores de todo o mundo e reserva algumas bolsas para brasileiros. O programa mais procurado é o Hero Program

 

 

Sobre a Autora

Juliana Lamberts é gerente de Desenvolvimento de Negócios do LAIOB. Graduada em administração pelo IBMEC RJ, passou por algumas empresas no Rio de Janeiro e em São Paulo, com foco em startups e no setor de educação. Apaixonada pela cultura de crescimento, achou no LAIOB um lugar para fazer a diferença. Criado em 2014, o LAIOB – Latin America Institute of Business nasceu com o objetivo de capacitar, qualificar e desenvolver profissionais da América Latina com programas acadêmicos nas principais universidades do Estados Unidos. 

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