Um Projeto: Fundação Estudar
fabio barbosa durante evento de 25 anos da fundacao estudar

Fábio Barbosa: ‘Não estou aqui para assinar o cheque e passar a borracha na consciência’

Por Ana Pinho

Num país famoso pelo ‘jeitinho’, Fábio Barbosa, que já foi um dos maiores líderes do mercado financeiro brasileiro, aposta na integridade como palavra de ordem nos negócios

Por 25 anos, Fábio Barbosa ocupou cargos de destaque em instituições financeiras do Brasil – ele foi CEO dos bancos ABN, Real e Santander, e da Febraban –, e ao longo de toda essa trajetória, ficou conhecido por manter uma linha firme em relação à ética. Hoje sócio-conselheiro do Gávea Investimentos e membro do conselho da Fundação das Nações Unidas, tem a experiência para dizer que, de fato, é possível viver como se prega. Recentemente, o executivo também foi anunciado como vice-presidente da Fundação Itaú Social, que apoia projetos educacionais.

“Não basta fazer o que é legal”, resumiu. “É preciso fazer o que é ético e correto.” O painel sobre integridade, mediado pelo bolsista André Mendes, fez parte do encontro comemorativo de 25 anos da Fundação Estudar. Ao longo de sua fala, Barbosa relembrou encruzilhadas éticas e morais que enfrentou para provar que o sucesso vem também (e principalmente) para quem age de maneira correta, sem atalhos. 

Tratando-se de uma indústria com uma associação simbólica muito grande a condutas antiéticas (impulsionada também pela crise financeira mundial de 2008), é importante reforçar o posicionamento do executivo. Sobre a época em que era banqueiro, contou, por exemplo, do pedido de financiamento que recebeu de uma madeireira paraense quando a atividade ainda não era regulada, mas já tinha aspectos predatórios. Negou o pedido. Pouco depois, surgiu outra madeireira, que obedecia as poucas certificações da época. Aquela, Barbosa aceitou. “Não estou aqui para assinar o cheque e passar a borracha na consciência”, explicou.

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[Luis Felipe Moura]

Barbosa ganhou fama ao trazer para o setor financeiro a preocupação com conceitos como sustentabilidade e transparência. Ele foi o responsável pela criação do primeiro Código de Ética do Banco Real, e, como presidente da Febraban, também sugeriu a criação de um código de conduta. Entre outros aspectos, o código estabelecia que a obrigação dos bancos é avisar o consumidor do melhor crédito que se aplica a ele, e não o mais lucrativo para a instituição. Tudo isso caminhou junto de excelentes resultados financeiros. A frente do Santander, por exemplo, realizou o maior IPO da história do país.

Assista ao Bate-Papo do Na Prática com Fábio Barbosa

O consumidor das redes Atualmente, “passar a borracha” também já não é tão fácil como antigamente. Com o avanço da tecnologia de comunicação e das redes sociais, disse, as empresas enfrentam novos desafios e escrutínios. “Não existe mais on e off, você está on o tempo inteiro e eu acho isso maravilhoso”, disse. “Não se trata mais da imagem que a empresa quer transmitir, mas da experiência que ela gera para o cliente.”

Outro ponto importante na mudança é uma geração de consumidores mais consciente, social e ambientalmente. “Nossa geração deixou filhos melhores para o Brasil”, disse. “E vocês devem trazer isso para as empresas em que trabalham, para sua condição de cidadãos e ir à luta. Mexer na sociedade é difíficil, mas na vida de vocês não.”

Brasil Discussões sobre a situação atual do país, que vive uma crise política e socioeconômicas, foram um ponto em comum em todas as palestras do evento. Para Barbosa, o Brasil de hoje não é por acaso. “O país é a somatória de nossas atitudes e também de nossas omissões.” 

As transgressões – e, não raro, pequenos crimes – que permeiam o dia a dia dos brasileiros devem ser eliminadas se a nação quiser mudar. E isso vale também para o ambiente de trabalho e para a composição de equipes. Os valores de alguém, disse Barbosa, devem contar sempre.

“Se há pessoas que têm boa performance, mas em cima de atalhos ou transações que não são republicanas, elimine-o!”, falou. “Nada mata tanto um empresa quanto essa ideia de ‘ah, ele é um bom profissional então deixa para lá’.”

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