Um Projeto: Fundação Estudar
Empreendedorismo - Vitta

Conheça os jovens que querem revolucionar a gestão de consultórios

Por Ana Pinho

Criadora do primeiro sistema de gestão de consultórios com agendamento online do Brasil, a startup Vitta tem mais de mil clientes, rotina intensa e planos nacionais de expansão

O primeiro médico a validar o que viria a ser a startup Vitta, em idos de 2014, conhecia Lucas Lacerda desde o nascimento – literalmente. Como empreendedor, Lucas tinha o objetivo de melhorar a gestão do consultório, algo com que os profissionais de saúde costumam perder muito tempo e sem ter um resultado dos melhores.

“Como paciente, o problema da sala de espera era algo que me incomodava”, lembra Lucas, CEO aos 24 anos. A parte operacional dos consultórios, no entanto, tinha muitos outros aspectos que também poderiam ser melhorados – algo que ele percebeu logo de cara, quando começou a desenvolver sua ideia de negócio.

Atualmente, a empresa oferece três ferramentas para facilitar o dia a dia dos médicos, e que envolvem desde posicionamento na internet e agendamento online de consultas até prontuários eletrônicos e plataformas de controle financeiro. Esse ano, aproveitaram uma nova regulamentação para a categoria, lançaram a primeira solução de pagamentos para profissionais de saúde do Brasil – a Vitta Pagamentos, uma máquina de cartões criada especificamente para os médicos. A agilidade dos empreendedores rendeu frutos: a lista de clientes já supera os mil pelo Brasil.

A mais recente é a Vitta Pagamentos, máquina de cartões especificamente desenhada para a categoria e que tem todas as transações acompanhadas em tempo real pela equipe lançada em fevereiro. A inovação aparece no relatório de cada ato, que inclui dados como CNPJ de cada médico e CPF de cada paciente, e na habilidade de atrelar mais de uma conta para pagamento – especialmente útil em clínicas, onde diversos médicos dividem o mesmo aparelho.

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Todos os produtos podem ser pagos mensal ou anualmente, e a lista de clientes já supera os mil pelo Brasil.

“Falamos com mais de quinhentos médicos para entender suas necessidades e especificidades, de consultórios a clínicas populares e clínicas grandes”, lembra João Alkmim, um dos fundadores e bolsista da Fundação Estudar. “Mapeamos tudo para saber o ramo de ataque e percebemos uma lacuna gigante no mercado.”

O trio de co-fundadores também inclui Fernando Nery e se conhece da Universidade Federal de Uberlândia. Há quase um ano, as 18 pessoas da equipe se dividem entre Minas Gerais e São Paulo. A metade mineira é responsável pelo desenvolvimento de softwares, a cargo do CTO Fernando, e há um monitor nos dois escritórios para manter contato visual.

Hora do pitch

No verão de 2015, João trouxe do Insper, onde estuda Administração, vinte estagiários para fazer uma maratona de sales. Foi quando validaram de vez os produtos da casa, instalaram-se em São Paulo e foram em busca de investimentos.

Entre redes e comunidades – inclusive a da Fundação Estudar –, acabaram conquistando o apoio do fundo de investimentos Arpex, que também emprestou a credibilidade de uma marca estabelecida.

Ele admite que mostrar-se como uma empresa madura pode ser um desafio numa primeira impressão. “Somos jovens mas temos o melhor produto do mercado e quem diz isso são gestores hospitalares”, conta.

Rotina intensa

A equipe de estagiários de verão que ficou inclui Athus Formiga, que aos 20 anos toca o Vitta Pagamentos. Com experiência internacional no banco Morgan Stanley, em Nova York, ele aprendeu na prática que médico é “um bicho diferente” do mercado financeiro. “As especificidades do setor de saúde são muito grandes e é um aprendizado em tempo integral com cada médico”, conta.

Ele ri ao lembrar que falta tempo para dormir, mas diz crer no propósito da empresa: “Se a gente der suporte para o profissional de saúde, o impacto tanto para ele quanto para os pacientes é muito grande, e isso é muito gratificante.”

Leia também: Como as redes e comunidades podem ajudar na sua vida e carreira?

São jornadas de trabalho intensas, de até doze horas, e muitos ainda precisam arranjar tempo para estudar – João, por exemplo, tem 21 anos e se forma só em 2018. “Nosso espírito de empreender é muito forte e a gente até brinca que não é para qualquer um”, diz. “Mas só existimos por conta do time, que tem muita garra.”

Expansão

Embora a crise não afete a demanda por saúde, que se mantém estável, a Vitta ainda enfrenta dificuldades típicas de começo de startups, como atrair capital e convencer seu segmento a fazer as coisas de um jeito diferente – no caso, uma categoria especialmente tradicional a aceitar fazer as coisas pela internet. 

Os benefícios, no entanto, parecem se espalhar rápido e não é raro alguém na Vitta atender o telefone ao invés de fazer a ligação. “Conseguimos construir soluções que ninguém tinha conseguido antes, nem as gigantes do segmento”, explica João.

A equipe pretende expandir a gama de produtos ainda mais no futuro próximo – e atrair cada vez mais talentos. “Estamos sempre buscando gente boa”, conclui Lucas.

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