A pandemia da Covid-19 acaba de completar um ano e, de diferentes maneiras, tem afetado a vida de todos. No universo corporativo, aliás, muitas mudanças decorridas nos últimos meses têm dado uma nova cara tanto para as jornadas de trabalho quanto para as demandas dos profissionais. Entre eles, está a tendência do “work from everywhere”.

O relatório Demanda por talentos no cenário atual, divulgado pela Robert Half, mostra que 39% dos colaboradores entrevistados planejam se mudar de cidade ou país devido à flexibilidade de atuar à distância. Outros dizem que já pensaram nessa possibilidade, mas ou são impedidos pela pandemia (18%) ou a empresa não aprova (13%).

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A razão para números expressivos deve-se ao isolamento social, que forçou o regime remoto. Mas, é claro, também por empresas que estão apostando no novo formato – provisoriamente ou em definitivo. Afinal, das oportunidades abertas entre abril e dezembro de 2020 pela consultoria de recrutamento e seleção, pelo menos 80% foram para regimes total ou parcialmente home office.

 

 

A consolidação do work from everywhere

Ainda segundo o relatório da Robert Half, as oportunidades remotas em 2019 representavam apenas 5% das vagas disponíveis. Porém, a pandemia não apenas fez emergir como também consolidou a ideia do work from everywhere. A tendência foi bem recebida por profissionais que precisaram se deslocar (diariamente ou de modo definitivo) de suas cidades.

André de Freitas, por exemplo, é formado em Gestão de Sistema de Informação pela USP. Natural da cidade de Ibaté, no interior de São Paulo, cursou a graduação na cidade vizinha, São Carlos. Enquanto universitário, não chegou a precisar mudar de endereço. Contudo, a situação mudou quando formado.

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“Não dá para comparar as oportunidades disponíveis em São Paulo com o interior. Apesar de ser possível trabalhar remotamente na minha área, a maioria das empresas exigiam por profissionais in loco”, conta André.

Ele, que desde 2013 morava na capital paulista, no início da pandemia passou algumas semanas na casa dos pais, em sua cidade natal. Foi durante a estada que passou a ponderar sobre voltar a morar no interior. Porém, não demorou muito para tomar a decisão: a empresa de tecnologia em que trabalha adotou o home office por tempo indeterminado.

Mais e mais profissionais em busca do home office

O relatório ainda mostra que para 70% dos trabalhadores, o modelo ideal de trabalho seria poder escolher entre manter o home office e voltar ao escritório. Além disso, 65% apontam o modelo flexível como a melhor saída para aliviar o peso da jornada de trabalho.

Contudo, outro ponto que chama a atenção na pesquisa é o fato de o regime presencial está longe da preferência dos trabalhadores. Um em cada dois profissionais que avaliam uma mudança de emprego afirma que só aceitaria uma proposta que não oferecesse trabalho remoto se não houvesse outra opção.

É o caso de Mariana Almeida, formada em Relações Públicas há mais de cinco anos. Desde o final de 2019, quando foi desligada de seu último emprego fixo, atua como freelancer em produção de conteúdo e comunicação. O que era uma situação provisória, não apenas se estendeu por um ano, como também deverá perdurar por tempo indeterminado – independentemente da pandemia.

“No começo tive medo, pois o mundo tinha ‘parado’ justamente em um momento em que eu estava vulnerável. Mas já fazia uns freelas e durante a pandemia a demanda cresceu. Até então nunca tinha efetivamente mantido uma jornada completamente remota, porém me adaptei bem logo de cara”, revela.

Há mais de um ano sem um emprego fixo, Mariana ainda conta que o fato se deve a uma decisão dela própria. “Primeiramente, por conta da pandemia, não considero as oportunidades que exijam trabalho presencial imediato. Em segundo lugar, quero realmente selecionar onde trabalhar e não apenas trabalhar onde fui selecionada.”

Distante das capitais

Embora ainda more em São Paulo, a comunicadora tem planos de mudança – e por isso avalia muito bem o momento de abrir mão do trabalho freelancer. “Aproveitei que a minha rotina é flexível e peguei um Airbnb para o litoral e interior algumas vezes. Não é certeza ainda, mas pretendo nos próximos anos me mudar para a Baixada Santista. Agora que sei que posso trabalhar de onde for, não vejo sentido de ficar em São Paulo só por causa da minha profissão.”

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Dentre as razões que fazem Mariana querer descartar a vida na capital paulista deve-se ao alto custo de vida. Esse, inclusive, também foi o principal motivo que fez o André voltar para o interior do estado. Segundo ele, que agora sozinho em São Carlos, as despesas mensais são até menores das que tinha quando dividia um apartamento com amigos na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo.

Outra questão importante foi a busca por uma melhor qualidade de vida. “A pandemia me fez valorizar ainda mais a vida. São Paulo é fascinante e sempre a levarei no peito, mas ela não era o meu verdadeiro lar. Agora, sim, sinto-me verdadeiramente trabalhando de casa.”

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