Um Projeto: Fundação Estudar
Marlon Souza - Diretor Executivo da startup PlayMove

Diretor de startup de tecnologia para educação fala sobre os desafios de empreender na área

Por Ana Pinho

Cofundador da Playmove, startup voltada para o uso de tecnologia na educação infantil, Marlon Souza empreende com base em suas experiências em empresas de grande porte; para ele, gestão de pessoas é prioridade nos primeiros anos

A carreira de empreendedor de Marlon Souza começou cedo, aos 16 anos, quando já era um programador autodidata e criou uma empresa de editoração eletrônica. Foram as companhias de grande porte onde trabalhou por quase trinta anos, no entanto, como Ambev, Bunge e General Motors, que o prepararam para empreender novamente nos anos 2010. Hoje, ele é cofundador e diretor executivo da startup Playmove, criadora da primeira mesa digital com jogos educativos do Brasil.

“Naquele primeiro momento, eu estava experimentando tudo. Quando voltei a empreender, além de ser uma pessoa mais madura, já tinha estado do outro lado e sabia como funcionavam os processo internos, quais eram as expectativas de preço, como empresas queriam comprar”, conta. “Tive uma visão completamente diferente do negócio.”

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Esse é um de seus conselhos favoritos para jovens empreendedores: aproveitar empresas estabelecidas para conhecer um pouco do “caminho das pedras” que faz um negócio ir para frente.

“Encontro muitos jovens com startups que tem dúvida em basicamente tudo porque nunca tiveram nenhum tipo de experiência, e você paga esse preço com seu tempo e com seu dinheiro”, diz. “Se você puder ter experiência dentro de uma empresa grande, que seja para saber o que vai ou não fazer em seu negócio, tenha.”

PlayTable Marlon, que é formado em Comunicação Social e tem um MBA em Gestão de TI, se especializou em tecnologia e marketing digital, especialmente na área de negócios de desenvolvimento mobile e jogos.

Da convergência entre essas áreas e um nicho no mercado – um produto educativo voltado para crianças em espaços em que não eram público-alvo, como clínicas, shoppings e restaurantes, além de escolas – nasceu a PlayTable, principal produto da empreitada atual.

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Lançada na Campus Party de 2014 e comercializada desde maio daquele ano, o modelo evoluiu a partir da parceria com o sócio Jean Gonçalves, que trouxe a expertise em jogos educativos para combinar com a plataforma criada por Marlon.

Crescimento Em quase dois anos, já venderam 2.500 unidades pelo país. A expectativa é dobrar o número até o fim de 2016 e exportar tanto para a América Latina (as versões em espanhol já estão prontas) quanto para os mercados de língua inglesa.

A mesa digital funciona como um console de videogame com acesso à uma app store exclusiva, onde é possível comprar uma série de jogos educativos pensados para o desenvolvimento infantil. Do roteiro às ilustrações, quase tudo é produzido internamente – e quase tudo, exceto as vendas, supervisionado pelo diretor executivo.

“Há todo um ecossistema em torno do produto físico, que é a mesa em si”, explica. “Há 25 jogos digitais exclusivos e educativos que podem reforçar o conteúdo de sala de aula, como história ou matemática, ou o lado cognitivo, como desenvolver atenção e percepção.”

Gestão de pessoas Como diretor executivo de uma empresa de pequeno porte que pretende crescer (hoje são 30 funcionários), Marlon assume diversos papeis e põe em prática o que aprendeu ao longo dos anos.

O primeiro passo foi criar uma empresa dedicada à PlayTable, que os fundadores perceberam cedo que tinha potencial para ser um negócio próprio e não só um extra no portfolio.

Em seguida, foi preciso montar uma equipe sólida, algo que ele destaca como fundamental para que a empresa cresça de maneira sustentável. Para garantir que os funcionários eram os certos para aquele desafio, a dupla deslocou funcionários de seus outros negócios para liderar os diferentes departamentos.

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“Eu já tinha muito claro qual era o perfil que a pessoa precisaria ter para gerenciar cada dos departamentos e isso economizou muito tempo no crescimento, que acontece mais rápido se não precisarmos reinventar a roda”, diz. “Escolher pessoas que aprendem e absorvem responsabilidades ao longo do tempo e que queiram ficar a longo prazo é fundamental para a estabilidade do negócio nos primeiros cinco anos.”

Dia a dia variado Atualmente, Marlon divide seu tempo entre administração do negócio, gestão do produto e produção. (O sócio fica com a parte comercial.) “Acabo direcionando cada uma dessas áreas e também o desenvolvimento de novos produtos e planejamento estratégico.”

A mesa – que tem 60% dos componentes fabricados no Brasil – é montada pela própria empresa na sede, em Blumenau (SC). O processo fabril foi uma novidade para ele, que se inspirou no que já tinha visto em termos de logística e distribuição em fábricas da Ambev para se preparar. “Foi algo que me ensinou como eu teria que me preparar para quando precisasse montar ‘xis’ mesas por mês”, explica.

Para dar conta de tantas coisas diferentes, ele checa diariamente a situação financeira, do estoque, do marketing e do planejamento a longo prazo. Também prioriza o controle semanal de metas, com reuniões específicas para cada departamento, e procura feedback constante dos us00uários, tanto pequenos quanto adultos.

“O empreendedor não pode descuidar do dia a dia da produção e das finanças, mas se não pensar lá na frente o negócio não evolui e ele vai sempre fazer a mesma coisa”, aconselha. “É preciso ter um olho no peixe e outro no gato – um no futuro e outro nas contas do mês que vem.”

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