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Microsoft testa semana de trabalho de quatro dias e vê vendas dos funcionários crescer em 40%

Por Suria Barbosa

A partir de experimento com semana de quatro dias, que visava clarear o impacto da flexibilização das condições de trabalho, a Microsoft Japão mapeou diversos benefícios para os colaboradores e para os negócios.

Aumento nas vendas, da satisfação dos funcionários e diminuição dos gastos. Esses são três dos resultados de um experimento da Microsoft Japão. Intitulado “Work-Life Choice Challenge Summer 2019”, o teste consistiu em estipular semanas de trabalho com quatro dias: os colaboradores tiraram folga (remunerada) por cinco sextas-feiras consecutivas.

O Japão, onde a gigante de tecnologia aplicou o programa, é conhecido por uma cultura de trabalho rigorosa, com estímulo à dedicação extrema por parte dos profissionais. Em 2017, por exemplo, uma jornalista de 31 anos morreu depois de trabalhar 159 horas extras em um mês. Esse e outros casos fomentaram algumas mudanças nas leis do país a fim de promover mais o equilíbrio vida pessoal e profissional.

Críticos, no entanto, destacam que a cultura é tão enraizada que as medidas do governo ainda são insuficientes. Nesse cenário, a iniciativa da Microsoft Japão dá luz à alternativas que as organizações podem tomar – e deixa claro que condições melhores de qualidade de vida reverberam também em benefícios para as organizações.

Os resultados do experimento da Microsoft Japão 

Na prática, nas sextas-feiras fora do trabalho, os funcionários tinham um limite de 30 minutos de reuniões por dia. Eles também eram incentivados a fazer qualquer contato online, ao invés de presencialmente.

Além disso, alguns colaboradores tiveram semanas de três dias, com permissão para trabalhar remotamente. A Microsoft Japão também aplicou um programa de suporte, em que prestou assistência financeira aos para “despesas relacionadas ao autodesenvolvimento, viagens familiares, atividades de ‘contribuição social’ etc.”

O objetivo era entender como flexibilidade a mais estilos de trabalho poderia impactar. No relatório final do teste, a empresa comparou algumas métricas com as dos mesmos meses em anos anteriores. Em agosto (2019), por exemplo, alguns resultados foram:

  • Páginas impressas (custos): -58,7% (comparado a agosto de 2016)
  • Vendas por colaborador: +39.9% (comparado a agosto de 2018)
  • Reuniões de 30 minutos: +46% (comparado a agosto de 2018)
  • Consumo de eletricidade: -23,1% (comparado a agosto de 2016)

Um ponto levantado pela companhia é que não é possível atribuir os resultados exclusivamente às medidas experimento – elas são, provavelmente, fruto da conjunção de diversos fatores, explicam.

A Microsoft Japão também não deixa claro, no relatório, como aplicará as descobertas na rotina futura dos seus colaboradores, mas informa os desafios levantados (como assimetria de informação entre departamentos) a serem trabalhados em um concurso interno de ideias sobre o tema. 

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Como a ciência fortalece o argumento

Algumas pesquisas corroboram a hipótese de que flexibilizar as condições de trabalho pode aumentar a produtividade. A Harvard Business Review, por exemplo, mostrou o caso de uma agência de viagens chinesa, que registrou um aumento de 13% na produtividade quando permitiu que os funcionários de seu call center trabalhassem remotamente.

Na Nova Zelândia, uma empresa implantou uma jornada de trabalho de quatro dias, mas manteve o salário. Inicialmente como um teste e agora uma medida permanente, a organização neozelandesa viu a produtividade de seus colaboradores aumentar em cerca de 24%, a satisfação em 5% e o estresse diminuir em 7%.

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