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Kroton na prática: o dia a dia de um gerente de operações

Por Cecília Araújo

Bruno Souza explica os desafios cotidianos da gerência da área de operações da maior empresa do setor educacional do país

A Kroton Educacional não tem do que reclamar. Nos últimos 12 meses, suas ações valorizaram 111% e seu lucro líquido mais que dobrou no segundo trimestre de 2014 comparado ao mesmo período do ano anterior. São mais de 600 mil alunos espalhados por quase todos os estados brasileiros, desde a educação básica até o ensino superior, passando pelo ensino profissionalizante.

Atingir essas marcas é uma tarefa tão complexa quanto desafiadora. É o que garante Bruno Souza, que integra a equipe da diretoria de Operações. “É nesse departamento que a gente faz acontecer. A meta é fazer com os investimentos sejam usados da melhor forma possível.” Alocado na gerência de planejamento, seu dia a dia inclui tarefas que assegurem as atividades de todas as unidades da empresa, desde a compra de terrenos para novas unidades até a aquisição de equipamentos para um novo laboratório de engenharia.

“O setor de operações é um gargalo de problemas”, diz Bruno. E não há nada de ruim nisso: é da natureza da atividade trabalhar para superar os desafios que se impõem. Por exemplo: uma das faculdades do grupo esperava receber 1.000 novos alunos no início do ano letivo, mas devidos a esforços bem-sucedidos, foram admitidos 1.500 novos estudantes. Aí, é hora da gerência de Operações entrar em ação. Cabe a ela planejar e apresentar um projeto sobre qual o impacto desses novos alunos na infraestrutura, ou seja, quantas novas salas serão necessárias e se será preciso ampliar laboratórios, realizar reformas no prédio ou adquirir novos materiais.

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Toda essa dinâmica de trabalho apresenta um desafio grande aos profissionais de Operações: é preciso agir com rapidez e precisão. “Quando recebo um email com uma demanda, já tenho que sair resolvendo, de imediato. Não posso esperar para resolver só no outro dia. Nossos clientes precisam de respostas imediatas.” Afinal, tempo é dinheiro – e esse jargão é particularmente verdadeiro nesse setor, já que estimar errado o número de salas de aula ou comprar um terreno inapropriado para o empreendimento pode ser bastante comprometedor.

Bruno lembra que a área de educação possui particularidades que exigem da equipe de operações exatidão nos planejamentos e eficiência nas execuções. Isso porque as atividades precisam andar alinhadas com o calendário escolar. Se a chegada de mais alunos exige a ampliação de uma determinada área, por exemplo, a obra precisa acontecer durante o período de férias. “Precisamos garantir que a obra se inicie no dia 1º de julho e esteja concluída no dia 31.”, exemplifica Bruno. Caso contrário, prejudicaria o período de aula e o rendimento dos alunos. “Formar mais de meio milhão de estudantes é muita responsabilidade.”

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Perfil do profissional

Por ter que lidar sempre e constantemente com desafios variados, o profissional de Operações precisa apresentar jogo de cintura e forte habilidade em se relacionar com os demais, além de saber trabalhar em equipe. “Costumo dizer que a parte técnica se aprende – nos livros, com cursos ou no próprio trabalho. Mas saber negociar e se comunicar bem faz parte da personalidade da pessoa.”

Disso, Bruno entende bem. É conhecido no departamento como relações públicas devido a sua capacidade de transitar com facilidade entre os diferentes setores. Essa característica teve um importante papel na sua definição profissional. “Sempre me perguntei: quero ser um especialista? Ou quero ser um gestor?”. As diferenças são grandes. “Quando você se especializa, você foca em um assunto. Mas quando você é gestor, você precisa conhecer um pouco de tudo – RH, marketing, financeiro. E eu quero essa multidisciplinaridade pra mim.” É justamente o que a diretoria de Operações oferece a ele.

Bruno é graduado em administração de empresas, mas lembra que diferentes formações atendem aos requisitos dos profissionais de Operações. Engenheiros, matemáticos e até físicos ocupam cargos dentro dessa área. E, segundo ele, a chamada geração Y sai na frente. “Essa geração tem características como imediatismo, proatividade e senso de urgência que são necessárias”, diz. Mas é preciso saber lidar com as frustrações. “Às vezes trabalhamos em um projeto difícil que não dá certo e precisamos recomeçar lá de trás.”

Esta reportagem faz parte da seção Explore, que reúne uma série de conteúdos exclusivos sobre carreira em negócios. Nela, explicamos como funciona, como é na prática e como entrar em diversas indústrias e funções. Nosso objetivo é te dar algumas coordenadas para você ter uma ideia mais real do que vai encontrar no dia a dia de trabalho em diferentes setores e áreas de atuação.

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