Jovens universitários ensinam crianças a programar em Goiás

Exemplo de protagonismo, o projeto começou voltado somente para a faculdade mas já se transformou em grupo de pesquisa e quer se expandir para outras regiões

Maria Victória Oliveira, de , em 21.07.2015
Duas crianças aprendem no computador [PaulGoyette]

Não ter um lugar onde crianças pudessem aprender programação incomodava um grupo de jovens da Universidade Estadual de Goiás. Por isso, Mateus Nascimento, Munike Lamounier, Silas Júnior e Túlio Vital, alunos do curso sistema de informação, criaram o Gênios de Turing. O projeto, elaborado em janeiro desse ano e inicialmente voltado somente para a faculdade, se transformou em um grupo de pesquisa de extensão, com o objetivo central de introduzir a programação como uma matéria curricular no ensino fundamental.

“Fazendo um estudo de caso, nós percebemos que as crianças dessa faixa etária – dos 8 aos 11 anos – querem algo diferente na escola. Mas tanto os professores quanto os pais não estão sabem como atender a essa demanda”, relata Silas Junior, um dos criadores do projeto. A ideia é que o grupo ensine os jovens não só a programar, mas também a entender o pensamento computacional e a desenvolver seus próprios aplicativos.

Para que os objetivos sejam atingidos, as crianças utilizarão o Scratch, uma ferramenta que ensina programação a partir da lógica do Lego e a ferramenta Code.org, com a qual os jovens programarão jogos sobre filmes infantis.

Desenvolvido com o apoio e supervisão do professor Elton César Silva Morais, o projeto conta com a participação da professora do Instituto Federal Goiano, Ramayane Bonacin, e da técnica de informática Talia Santana.

As aulas terão início no dia 10 agosto no colégio São Tomáz de Aquino, em Ceres (GO), e serão semanais, substituindo matérias tradicionais de forma alternada. O curso, que é gratuito, terá duração de 10 meses e os alunos serão avaliados a cada aula ministrada. O “termômetro”, como explica Silas, é uma forma de testar o que as crianças entenderam e de que forma aprenderam. “O termômetro servirá também como uma guia para que nós programemos as aulas”, diz.

Segundo ele, os alunos do colégio estão defasados na área de informática. Por isso, antes de começar o curso de programação, os Gênios de Turing irão ensinar como mexer no computador, como navegar pela internet e outras ferramentas da máquina.

Apesar da temática, os estudantes também terão aulas fora do laboratório de informática. “Nós ensinaremos jogos de lógica na biblioteca, como uma forma de incentivar o gosto por esse ambiente”, ressalta Silas.

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Outro objetivo do projeto é incentivar as meninas a aprender programação. Segundo ele, o setor ainda é dominado pelos homens, o que acarreta certo preconceito perante o público feminino na área. “Quando nós começamos a pensar sobre o Gênios, já tínhamos essa ideia de despertar o interesse das mulheres pela tecnologia”.

Ele defende ainda que aprender a programar ajuda não só na informática, mas em todos os componentes curriculares. Segundo Silas, a programação para crianças é de extrema importância, apesar desse cenário se mostrar em estágio inicial no Brasil. “O movimento A Hora do Código apoia a programação para crianças e mostra que a atenção delas aumenta em cerca de 70%, preparando melhor para o ensino superior”.

Os Gênios de Turing planejam que, se receberem uma resposta positiva dos estudantes de São Tomáz Aquino, o projeto pode ser expandido para outras regiões do país.

Este artigo foi originalmente publicado em Porvir