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Placa de rua de Wall Street

Como uma jovem sem conexões em Wall Street se tornou sócia do Goldman Sachs

Por Tradução do LinkedIn

A canadense Jacki Zehner fala sobre sua jornada pioneira rumo ao topo de um dos maiores bancos de investimento do mundo nos anos 1990

Trabalhar no mercado financeiro não é fácil: a competição por vagas é alta e, para as mulheres, ainda há uma série de desafios extras no caminho.

Sabendo disso, Jackie Zehner resolveu contar sua história para inspirar jovens, especialmente do sexo feminino, mundo afora. Trata-se da primeira trader mulher a se tornar sócia do Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento do mundo.

Confira a tradução feita pelo Na Prática abaixo:

Fui a primeira trader mulher a ser nomeada sócia do Goldman Sachs. Em 1996, também fui a mulher mais jovem – mas espero que desde então alguém tenha me superado nesse aspecto. Eu tinha 32 anos, era recém-casada e estava a um ano de ter meu primeiro filho.

No total, trabalhei no Goldman Sachs por 14 anos e, mesmo tendo saído em 2002, de muitas maneiras parece que foi ontem. Foi lá que minha paixão pela inclusão das mulheres e pela liderança feminina surgiu, e me levou a outra novidade: fui a primeira presidente da Women Moving Millions Inc., a única comunidade no mundo em que mulheres investem em mulheres aos milhões.

No entanto, o foco desse artigo será minha experiência na Goldman já que, sem isso, o resto provavelmente não teria sido possível.

Então, como cheguei lá? Como conquistei? Como uma jovem de uma pequena cidade no Canadá, sem conexões em Wall Street, cresceu para se tornar sócia do Goldman Sachs? Essa é minha história.

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Cresci em Kelowna, Canadá, na época uma pequena cidade a cinco ou seis horas de carro de Vancouver. Meu pai tinha um mercado e eu trabalhava em um ringue de hockey, como uma boa criança canadense.

Eu não sabia que minha vida eventualmente me levaria a Nova York e ao Goldman Sachs, mas fiz o que pude para abrir o maior número de portas possíveis. Trabalhei duro na escola, me formei entre os melhores da sala e afinei minha ética de trabalho através do treinamento de fisiculturismo, eventualmente me tornando Miss Junior Canada aos 16 anos.

Isso foi em parte graças ao meu namorado da época, Mario, que me apresentou ao Mr. C’s Fitness Centre. Nunca subestime o poder de quem você escolhe namorar como um fator que pode influenciar seu futuro!

Após dois anos na faculdade local, fui aceita na Universidade de British Columbia e trabalhei duro para me tornar uma das melhores alunas do programa. Isso, por sua vez, me incluiu entre os primeiros estudantes a serem aceitos em um inovador programa de administração de portfolio, em que estudantes tinham a oportunidade de aprender a administrar dinheiro na prática ao administrar fundos de endowment.

Me formei com um diploma em finanças e fui a primeira aluna da graduação da UBC a ser recrutada pelo Goldman Sachs, em 1988. Estou convencida que ser uma fisiculturista premiada teve muito a ver com isso. Acho que pensar que eu conseguia lidar de igual para igual com os puxadores de peso da academia me fez pensar que eu conseguiria fazer o mesmo no pregão.

Tenho total clareza que muito de meu sucesso tem a ver com timing e sorte. Tive a felicidade de estar na UBC quando decidiram começar aquele programa e também de ter incríveis mentores, patrocinadores e apoio ao longo de minha carreira – mas atribuo a maior parte do sucesso às escolhas que fiz no caminho.

Tomei a decisão (aconselhada por um familiar) de entrar no mundo das finanças. Tomei a decisão de aplicar para o programa de administração de portfolios e fui rigorosa buscando ser aceita. Tomei a decisão de aplicar para o Goldman Sachs e, quando tive a chance de ter uma posição permanente no Canadá com um pacote inicial e um título muito melhores que o cargo junior no Goldman, escolhi o Goldman.

Isso foi graças, mais uma vez, ao conselho de um mentor que me disse: “Melhor ter um emprego menos alto na melhor firma que um mais alto na pior firma”. Ah, e claro: tomei a decisão de namorar Mario. Então, em 1988, fiz minhas malas e voei para Nova York.

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Goldman Sachs e Nova York

O que eu de fato aprendi, desde cedo, foi a trabalhar muito duro. Também aprendi que você precisa dar seu melhor para criar oportunidades para si mesmo e, quando elas se apresentam, extrair o máximo delas. Sempre fui uma pessoa de dizer “sim”, e isso fez uma grande diferença na minha jornada pioneira.

Comecei a trabalhar no Goldman Sachs em 1988 e me tornei parceira em 1996. Em meados de 1993, quase deixei o Goldman por outra empresa porque achei que meu talento e minhas habilidades não estavam sendo reconhecidos apreciados e eu não estava recebendo o que era justo, em relação aos colegas.

Dito isso, eu não estava fazendo nada ativo em relação ao tema. Talvez tenha sido orgulho ou estupidez, mas ao invés de conversar proativamente com meu gerente direto, saí e conquistei uma oferta de outra firma.

Quando fui me demitir, meu gerente sênior à época, um homem incrível chamado Mike Mortara, se recusou a aceitar a demissão. Ao invés disso, me levou para almoçar. Lá, eu finalmente disse tudo que deveria ter dito meses antes.

Compartilhei meus planos de construir meu próprio negócio, minha vontade de ter mais responsabilidades, minha ambição de me tornar sócia e mais. Concordamos que eu ficaria, mas o olhei nos olhos e fiz com que prometesse que seria meu patrocinador. Ele até assinou um guardanapo. Claro, tive que fazer minha parte – mas ele agora poderia ser responsabilizado por isso.

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As lições desse episódio:

1. Não espere que seu gerente leia sua mente. Ao fazer um bom trabalho, você ganha o direito de ter suas aspirações escutadas e apoiadas. Faça sua parte para comunicá-las.

2. Não assuma que as pessoas irão te patrocinar. Peça para que te patrocinem.

3. Às vezes é preciso ter uma oferta de outro trabalho para que a empresa em que você está pague o que você merece.

Liderança feminina

Ser a primeira em qualquer coisa é uma grande responsabilidade e eu levo a sério. Você se torna um modelo, mesmo que não queira, e minha esperança era que muitas outras pessoas talentosas – especialmente mulheres – seguiriam meus passos.

Enquanto estive na Goldman, fui defensora de talentos mais jovens e aceitei muitos papeis nas iniciativas de diversidade da empresa e ativamente recrutei e mentorei mulheres, especialmente traders.

Era meu papel, como primeira mulher e dona de uma plataforma, não apenas tornar os desafios visíveis para gestores mas evidenciar as experiências de outros.

Uma vez que essas portas se abrem, elas não apenas precisam se manter abertas como precisam crescer. Desafio todos os pioneiros a se perguntarem: você está fazendo o que pode para apoiar outros que queiram seguir um caminho similar?

Quanto a mim, decidi deixar o campo das finanças em 2002 – e não sem um arrependimento ocasional. Frequentemente penso sobre o que teria acontecido se eu tivesse ficado. Quantos outros espaços pioneiros eu conquistaria?

Nunca houve uma mulher CEO em uma das grandes empresas de serviços financeiros dos EUA. Nunca houve uma Secretária do Tesouro.

O presente que o Goldman me deu no final não foi um titulo ou uma promoção, mas o fato que meu tempo lá me ajudou a focar nos temas que me são mais caros no mundo e me dar os recursos financeiros para agir.

Em 2012, me tornei a primeira presidente e CEO da Women Moving Millions Inc. (WMM), uma rede de filantropia global dedicada a movimentar recursos sem precedentes para auxiliar no desenvolvimento de mulheres e garotas.

Até hoje, membros da WMM já doaram mais de um bilhão de dólares para causas que beneficiam mulheres e garotas – outro ineditismo. Agora, estamos trabalhando em outra coisa pioneira, um currículo holístico de liderança filantrópica, primeiro do tipo.

E eu seria omissa se não reconhecesse que ser pioneira em algo não seria possível para mim, pessoalmente, se não fosse a incrível rede de apoio que tenho em minha vida.

Tenho muita sorte e gratidão por ter tido tantas pessoas verdadeiramente incríveis que me ajudaram nessa jornada, e não conseguiria trabalhar como trabalho sem elas.

Em sua jornada rumo ao pioneirismo, espero que você encontre o apoio que precisa e a coragem para se cercar de influências positivas.

Quaisquer que sejam seus objetivos de vida, os encorajo a buscar seus sonhos, saber que o caminho não será fácil – e segui-lo mesmo assim. Saia pelo mundo e seja o primeiro. Precisamos de pioneiros, hoje mais do que nunca.

Artigo originalmente publicado no LinkedIn.

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