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Tadeu Schmidt

Como a competitividade ajudou (e atrapalhou) Tadeu Schmidt

Por Redação, do Na Prática

“Eu achava que só seria feliz se fosse o Oscar Schmidt de qualquer atividade – e isso era autodestrutivo”, disse o apresentador

Na manhã de 1º de agosto, na Conferência Na Prática Mercado Financeiro, em São Paulo, o apresentador Tadeu Schmidt se sentou à frente de 200 jovens e representantes de grandes empresas em busca de jovens talentos para falar sobre sua trajetória profissional: de um jovem jogador de vôlei a premiado jornalista e apresentador.

Como crescer sendo irmão mais novo de Oscar Schmidt, grande ídolo nacional do basquete, influenciou sua história? “Claro que foi bom, mas o nível de exigência era fora do normal”, começou. “Eu pensava que só ser da seleção era fraco: eu tinha que ser o melhor da seleção.”

A veia esportiva da família o levou ao vôlei, que ele ele abandonou precocemente, aos 17 anos, ao se irritar com o corte da seleção infanto-juvenil. Sua autoexigência, lembrou, era muito forte e nociva.

Pressionado para seguir algum rumo profissional depois de largar o esporte, Tadeu se inscreveu em diversos cursos de graduação diferentes, como Direito, Educação Física e Comunicação Social, sem foco.

Elegeu o último, que estudou em Brasília, e chegou a testar publicidade antes de se decidir pelo jornalismo. “Foi o que me restou e caí lá”, admitiu. A veia competitiva surgiu mesmo assim: “Pensei: vou ser bom nisso.”

Começou a ler compulsivamente para aumentar seu repertório e começou a trabalhar. 

Passou um mês na Radiobrás e um ano na TV Nacional, onde se dedicou a aprender na prática com os chefes, pedindo feedack e ajuda constantemente. “A dedicação foi fundamental. Eu pensava: aquela pessoa faz melhor que eu. Como posso fazer melhor? Perdi a conta de quantas noites virei para fazer a melhor reportagem que podia.”

Seu conselho é aproveitar os primeiros anos profissionais para se dedicar ao aprendizado: testar (e errar), se inspirar em pessoas que você se admira e ouvir os outros, por exemplo.

“Eu observei o jeito que o Tino Marcos escrevia, que o Maurício Kubrusly narrava, que o Pedro Bial se apresentava até encontrar meu jeito de fazer as coisas”, exemplifica. “Puxe o que mais combina com você até aprender a fazer do seu jeito.”

A desenvoltura para esse tipo de trabalho, vale dizer, também foi fruto de esforço.

Tadeu se lembra da timidez que enfrentou a vida inteira até que, aos 18 anos, começou a trabalhar como mensageiro da Embaixada da Malásia na capital brasileira. Aprendeu a levantar o rosto e cumprimentar todos diariamente – um pequeno hábito que mantém até hoje e que o ajudou a se encontrar perante o público.

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A trajetória de Tadeu Schmidt na TV

Quando a faculdade terminou, passou pelo que chama, em tom de brincadeira, de “momento mais difícil da vida do ser humano: quando você se transforma de estudante em desempregado”.

Munido de uma fita com as matérias que tinha gravado nos tempos de estágio, conseguiu um teste na TV Globo – que disponibiliza suas vagas pelo site TalentosGlobo.com – e passou a trabalhar no DFTV. “Fazia de tudo, inclusive coisas que não gostava de fazer, tragédias horríveis”, disse.

Apesar de ter se apaixonado pela profissão e ter hoje uma rotina que considera divertida, Tadeu garante que todo trabalho tem partes chatas. Insistir para falar com pessoas e obter informações, por exemplo – algo essencial no cotidiano jornalístico –, é algo com o que ele nunca se acostumou.

A afinidade com esportes fez com que se encaminhasse para a cobertura esportiva da Globo além da capital, incluindo participações frequentes em jornais da rede nacional. Em 2000, se mudou para o Rio de Janeiro.

Fez o pulo para apresentador do Esporte Espetacular quando já testava novos modelos de quadros. Em 2007, foi convidado para apresentar a seção de esportes do Fantástico, um dos programas mais importantes da emissora.

“Foi o momento mais importante da minha carreira. Criei um modelo novo – não só contar a história, mas trazer bom humor – que foi crescendo”, explicou.

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No Fantástico, com espaço para avançar suas ideias, desenvolveu seu grande projeto: um novo formato para falar sobre os gols da rodada, quadro conhecido como Bola Cheia, Bola Murcha.

Foram meses de projetos-piloto apresentados para a diretoria até que subitamente veio a decisão: a estreia seria no próximo domingo. Em 2013, assumiu a apresentação do programa.

“Os gols sempre foram contados da mesma forma em todos os jornais do mundo – ‘cabeçada de fulano e gol do time tal’ – e sempre achei que era chato. Inclui uma mensagem mais coloquial, algo mais bem humorado e focado na história. Era um penúltimo lugar do campeonato com uma história genial? Então vai ter mais tempo no ar que a liderança do campeonato.”

Para ele, não foram só as novidades que trouxe ao programa dominical que fizeram sua carreira acelerar: foi a dedicação.

“O sucesso tem muitos fatores, como talento, criatividade e sorte. A única coisa que está sob nosso controle mesmo é seu nível de dedicação.”

Ele disse que, além da competitividade, também herdou da família a vontade de inovar em seu campo de trabalho. “Ao Oscar, meu pai dizia: você tem que arremessar de onde ninguém arremessa”, lembra. “Em qualquer carreira, quem inventa o novo se destaca.”

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