Um Projeto: Fundação Estudar
Letícia Sena propósito profissional

Como a depressão a ajudou a ressignificar seu propósito profissional

Por Tatyane Mendes

Diagnosticada com depressão duas vezes, Letícia Sena usou a condição para buscar o autoconhecimento e, com a ajuda do curso Liderança 16h, da Fundação Estudar, ressignificou sua vida e descobriu seu propósito profissional.

Ao 23 anos, Letícia Sena já teve depressão duas vezes, em 2014 e em 2018. O primeiro diagnóstico, acompanhado de síndrome do pânico e ansiedade, ocorreu por conta de um relacionamento abusivo que a jovem vivenciou. O segundo, mais forte, foi o resultado da falta de autocuidado da estudante, que sempre colocava outras pessoas como prioridade. Mas apesar da experiência ruim, foi por meio dela e do autoconhecimento que Letícia conseguiu descobrir seu propósito profissional.

A infância e o medo

Ela revela que desde criança sempre foi uma pessoa muito preocupada e por isso deixou de fazer várias coisas que tinha vontade. “Tinha medo de tudo. Nunca me coloquei como prioridade em nada. Tudo que eu aprendi, tudo que eu sonhei foi para outras pessoas. Conforme fui ficando mais velha, percebi que isso estava me prejudicando muito. Eu estava sofrendo por realmente não me conhecer, não saber o que eu queria e viver uma vida que não era focada em mim. Depois do segundo diagnóstico percebi que precisava cuidar de mim e descobri mais sobre mim mesma”, conta.

A então estudante de ciência da computação tirou o ano de 2019 para focar em si mesma. Parte desse processo foi incentivado pelo curso Liderança 16h, da Fundação Estudar Liderança 16h. “Um amigo me falou sobre porque ele tinha ganhado em um sorteio. Eu não conhecia a Fundação, fui pesquisar e descobri que era sobre autoliderança, bem no que eu estava investindo. Eu nunca imaginava que o curso ia ter o impacto que teve. No começo, achei que eu ia ficar deslocada porque não sonhava nada para mim, não tinha propósito profissional. Só que a didática e a prática foram tão verdadeiras que eu comecei a ver em tudo que estava questionando qual era o meu sonho e meu propósito profissional”, relembra.

 

 

 

 

 

 

 

O processo de autoconhecimento

A jovem explica que uma das dinâmicas pedia para circular as palavras que os participantes mais repetiam. “E eu repetia sempre pessoas. Entendi que minha vida sempre foi pessoas, era aquilo que eu gostava de fazer e me fazia bem. O problema era que eu não soube conciliar com cuidar de mim. Me perguntei o que eu sabia fazer e como eu poderia ajudar. Lembrei do meu tratamento contra a depressão e queria fazer algo que tivesse relação. Tinha acontecido dois casos de suicídio na minha universidade que tinham acabado comigo. Meninas da minha idade ou mais novas. Eu fiquei chocada por ver que minha universidade estava passando por um momento grave porque tinham depoimentos em páginas de pessoas anônimas pedindo ajuda”, relata.

Tomando as rédeas

Letícia decidiu fazer cartazes oferecendo ajuda à pessoas que estivessem passando por uma situação similar. “Comprei um número de telefone e deixei aberto para quem quisesse conversar, mais no sentido de se identificar por estar passando pela mesma situação. Deixei claro que não era psicóloga. Pensava que se uma pessoa mandasse mensagem, estava ótimo. Na mesma semana, imprimi os cartazes, comprei o chip e tranquei meu curso de ciência da computação porque percebi que não era o que eu queria. Não era meu propósito profissional. Eu queria estudar sobre pessoas”, compartilha.

Mais de 40 pessoas entraram em contato com Letícia, em busca de ajuda. “Tinham coisas muito pesadas. Eram pessoas que já tinham escrito cartas de suicídio, compraram corda, remédios que misturados eram letais e que pesquisavam sobre o assunto. Me contavam e pediam ajuda. Eu pegava essas coisas. Muitos foram encaminhados para o psicólogo. Foi um presente muito grande porque foi muita gente que confiou em mim. Eu encontrei com algumas pessoas. Me ligavam de madrugada pedindo ajuda porque estavam prestes a cometer uma loucura. Todos que conversaram comigo mudaram a vida radicalmente”, celebra.

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Rede de apoio

Depois da sair da universidade, Letícia não pregou mais cartazes, mas mantêm contato com as pessoas que mandaram mensagem na época. “Formamos uma rede muito unida e que se apoia no dia a dia. Pretendo terminar meu curso à distância e estudar psicologia. Quero desenvolver conteúdo sobre assunto em plataformas como Youtube e Instagram, para que existam mais formas de compartilhar essas vivências. Acredito que esse seja meu propósito profissional”, pondera.

A partir de sua experiência, a jovem analisa que muitos dos problema sociais vêm de viver em uma sociedade em que significados não valem mais. “Precisamos ressignificar muita coisa. Porque dar certo na época dos nossos pais não é o mesmo que dar certo agora. Só que estamos presos no significado dessas coisas de uma geração passada. Então estamos sofrendo muito com tudo. Aprendi também que qualquer coisa que a gente fizer na vida, vai ser uma boa. Vai ter dificuldade em realizar nosso propósito profissional, sim. Mas porque escolher todos os dias passar dificuldade com uma coisa que não é nosso sonho e não nos dá prazer? Muitas vezes colocamos nossos medos no caminho dos nossos sonhos”.

Como conselho, Letícia afirma que é importante descobrir o que se quer fazer, qual é a sua verdade e começar pequeno. E apesar de todas as coisas ruins pelas que passou até encontrar seu propósito profissional, ela afirma que não mudaria nada. “Porque foi a partir disso que eu entendi o que era limite, quais eram meus desejos e me conhecendo. Foram muitos anos para tomar coragem de fazer tudo que eu fiz. Não tem como você crescer sem apanhar um pouquinho. Mas quanto mais cedo você apanhar, mais você cresce. A gente usa o medo das coisas que dão errado para justificar que não vai dar certo. Achamos que não adianta nem tentar. Adoecemos por essas ilusões”, opina.

Precisa de apoio emocional e prevenção do suicídio? Busque ajuda no Centro de Valorização da Vida.

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