Um Projeto: Fundação Estudar
mulher usando régua

Projeto para construir carro atrai meninas às engenharias

Por Rafael Carvalho

Iniciativa da UFSJ, em Minas Gerais, é uma das dez selecionadas pelo Edital Elas nas Exatas, que incentiva a participação de mulheres nas áreas de ciências

O Meninas na Engenharia, projeto desenvolvido na UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rei), em Minas Gerais, para atrair alunas para o curso de engenharia foi uma das 10 iniciativas escolhidas para receber R$ 30 mil em 2016 pelo edital Gestão Escolar para Equidade: Elas nas exatas. O projeto é uma evolução de outra iniciativa já existente na universidade, o Projeto Fórmula SAE, no qual alunos desenvolvem um veículo estilo Fórmula 1.

A estudante de engenharia de produção e capitã do Fórmula SAE, Bárbara Duarte, conta que as meninas que já faziam parte do grupo Fórmula viram no edital, criado em parceria pelo Instituto Unibanco, Fundo Elas e a Fundação Carlos Chagas, uma oportunidade de colocar mais mulheres na engenharia e, consequentemente, dentro do Fórmula SAE.

“Nós usamos esse projeto para atrair as meninas e fazer com que elas acompanhem desde o esboço até a construção do carro, sua montagem e os testes”. Bárbara está no Fórmula SAE desde que o grupo foi montado. Ela conta que, no começo, somente duas meninas integravam o time. Hoje, dos 37 alunos, nove são mulheres. A ideia de criar o Meninas na Engenharia surgiu a partir da vontade de ter mais mulheres trabalhando a seu lado. “Eu sempre estive presente no meio de homens e sentia muita falta de ter meninas me acompanhando e aproveitando a oportunidade que eu tive”.

Bárbara diz que ficar entre os 10 projetos escolhidos pelo edital pegou todos de surpresa. Segundo ela, o recurso será destinado a comprar materiais para que as participantes possam desenvolver seus próprios projetos. “A ideia é que, ao longo do ano, elas acompanhem a montagem do carro e também desenvolvam um projeto próprio”.

As alunas que tiverem interesse no Fórmula SAE irão aprender desde conceitos básicos, como projetar peças para o carro, até processos mais complexos, como de fato construir essas peças. “Nós vamos utilizar o dinheiro em materiais para elas fabricarem o que projetaram assim como peças fundamentais e necessárias para que consigam acompanhar a fabricação do carro”.

O edital Gestão Escolar para Equidade: Elas nas exatas teve 173 inscritos que deveriam atender ao requisito de incentivar a participação e o ingresso de meninas nas carreiras de engenharia, ciências exatas e naturais a partir de projetos desenvolvidos nas escolas, como uma forma de desencorajar o pensamento de que essas são áreas masculinas.

Nove estados brasileiros marcaram presença na lista de 10 vencedores. Dois projetos são da Bahia. Os outros são do Ceára, Amazonas, Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo.

Ao longo do ano, as atividades premiadas serão monitoradas pelo Fundo Elas e pela Fundação Carlos Chagas que, em conjunto, irão avaliar os resultados e a possibilidade de ampliar a área de atuação do projeto para outras escolas. Segundo a coordenadora executiva do Fundo ELAS, K.K, a ideia do edital é fomentar não só as atividades, e sim discussões para que esse incentivo possa ser implementado como política educacional.

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