Gestão Empresarial

'As pessoas estão na vida para transformar, não para manter o status quo'

Atual CEO da Suzano Celulose e Papel, Walter Schalka tornou-se presidente pela primeira vez aos 31 anos e já comandou a Dixie Toga e a Votorantim Cimentos

Cecília Araújo, do , em 15.04.2016

A ascensão de Walter Schalka foi rápida. Quando era trainee do Citibank, logo após formar-se em Engenharia pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), foi convidado pelo empresário Roberto Klabin a trabalhar em sua holding Maepar. Também a convite dele, aceitou trabalhar em uma pequena empresa de toalhas de papel, a Lalekla, e torná-la cerne de um novo crescimento. Aos 28, Walter já era diretor financeiro da Dixie Lalekla e, aos 31, seu presidente. Em 1994, liderou mais uma fusão e tornou-se CEO do Grupo Dixie Toga.

“Fizemos mais de 10 aquisições”, conta ele. “E em pouco tempo aquela empresa de R$ 20 milhões passou a ser uma com R$ 1 bilhão em faturamento.” Sua exposição intensa aos processos de fusão, aquisição e turn around chamou a atenção do Grupo Votorantim, que em 2005 o convidou a assumir a presidência da Votorantim Cimentos. Em janeiro de 2013, Walter aceitou outro desafio e tornou-se CEO da Suzano Papel e Celulose, onde está atualmente.

Então criticamente endividada – num montante de R$ 8,3 bilhões –, a empresa precisava de um líder ágil, e que Walter provou ser. Com um estilo de gestão que valoriza o diálogo e a equipe, ele tem revertido essa situação e ganhado elogios da imprensa especializada.

No comando, reduziu despesas operacionais, inaugurou uma nova fábrica no Maranhão e investiu em negócios adjacentes, especialmente em pesquisas biotecnológicas como produtos geneticamente modificados e novas oportunidades para a lignina. O objetivo é tornar-se benchmark mundial da área.

Ainda quando era estudante do ITA, Walter já demonstrava interesse pela área de gestão que faria sua fama. “Não queria ser um engenheiro de prancheta”, lembra. Incentivado por um professor e pela afinidade com exatas, manteve-se no curso. Destaca que o melhor daquele período foi aprender a raciocinar de maneira analítica, que envolve entender, diagnosticar e implementar métodos de solução de problemas.

Quando recebeu seu diploma, aceitou uma das dez ofertas de emprego e tornou-se trainee do Citibank. “Era o menor salário, mas onde eu tinha mais a aprender”, diz. “No começo da carreira, você tem que esquecer a parte financeira e olhar o que quer para o futuro.” Ao mesmo tempo, engatou uma pós-graduação em Administração na Faculdade Getúlio Vargas (FGV-SP). A ideia era aprender mais sobre a parte humana para complementar o perfil técnico de sua graduação.

Quando veio o pedido de Klabin, deixou o Citibank para aprender a lidar com a liderança empresarial. Ajudou-o a participar dos conselhos de administração da Klabin e da Metal Leve e a administrar seus ativos em pequenas empresas. “Foi um crescimento muito grande e, no processo, aprendi a me posicionar e entender da parte estratégica”, conta.

De lá, começou sua própria trajetória como empresário de alto nível comandando o que viria a ser o Grupo Dixie Toga. Quando foi chamado pela Votorantim, após anos no ramo de packaging, precisou se reposicionar. Entre as principais diferenças dos setores, Walter cita a frequência de decisões de longo prazo e a constante necessidade de acertar, que envolvia ainda mais pensamento estratégico.

“Foi um desafio incrível pegar uma empresa instalada em apenas três países e transformar em uma multinacional brasileira de cimento”, conta. Sob sua liderança ao longo de oito anos, a Votorantim Cimentos ganhou fábricas em 14 nações. Foi quando, sondado pelo mercado, Walter foi convidado a assumir a Suzano Papel e Celulose.

“Minha função é identificar possibilidades e identificar pessoas”, resume. Para isso, vai do conselho administrativo à floresta e ao chão da fábrica, investigando possíveis gaps. “Ao escolher os indicadores corretos e trabalhar em cima deles, você naturalmente estará evoluindo.” É o que Walter chama de programa de aproximações sucessivas, e o mercado tem respondido de maneira favorável à abordagem.

Quando tem tempo, Walter gosta de almoçar com funcionários-chave da empresa para conhece-los melhor. O processo de mentoria, inclusive, é algo natural para ele, que prefere fazer análises em termos de potencial e perfomance. “Nosso papel é dar espaço para o jovem se desenvolver e crescer aqui dentro”, explica.

E enquanto sonha com um Brasil mais justo, ele aplica o que quer ver onde puder. “Nosso papel não é só maximizar a empresa”, conta. Preocupa-se também com as relações ambientais, comunitárias e sociais, sempre procurando oportunidades de otimização. “As pessoas estão na vida para transformar, não para manter o status quo”, conclui.