Empreendedorismo

'Num futuro incerto para as profissões, a curiosidade é a maior força que podemos ter'

David Baker, jornalista e professor da The School of Life, considera o futuro das profissões imprevisível – mas explica como isso pode ser bom para todos nós

Rafael Carvalho e Nathalia Bustamante, do , em 12.09.2016

David Baker tem a convicção de que, em breve, muitas das profissões que conhecemos não serão mais necessárias – ou, ao menos, não serão mais executadas por mãos e mentes humanas: “Computadores estão ficando cada dia melhores, cada dia mais rápidos, e se movendo em direção a carreiras que, hoje, acreditamos que estariam garantidas no futuro.”

Além de jornalista, Baker também é professor da The School of Life e, em suas aulas e pesquisas, ele busca trazer novos olhares sobre carreira e investigar as transformações que definirão o mercado de trabalho do futuro - e que, na sua visão, envolve mais atuações de freelancers e carreiras mais variadas, com menos linearidade.

Para ele o maior desafio é que, no passado, a tecnologia destruía funções e simultaneamente criava outras em seu lugar. Hoje, novos postos não tem sido gerados na mesma proporção, o que torna o futuro bastante imprevisível.

A má notícia? Ninguém está salvo. Do Direito à Medicina, a substituição acontecerá não só com funções mecânicas, mas também as tidas como executivas, estratégicas ou criativas. A boa notícia? Talvez isto signifique uma reestruturação profunda do que, hoje, entendemos como trabalho.

Com a crescente competitividade do mercado, a régua que fará um profissional se destacar tende a subir cada vez mais. Atingir a excelência, em muitos casos, vai prescindir que os novos trabalhadores encontrem um trabalham alinhado a seu propósito, com o qual possam estabelecer uma conexão genuína. Modalidades freelancer, horários flexíveis e contratações por projeto parecem fazer mais sentido nessa busca e tendem a aumentar.

Uma coisa é certa: para acompanhar esse ritmo vertiginoso de mudanças, é necessário saber se adaptar. “Ninguém pode imaginar, atualmente, que começará uma carreira agora e ela será a mesma em 40 ou 50 anos. Esta carreira terá sumido”. Adaptabilidade, nesse contexto, envolve estar em constante desenvolvimento, sempre aprendendo novas habilidades e adquirindo novos conhecimentos - não somente dentro do escopo do seu trabalho atual. “Há uma oportunidade aqui para ser variado, adaptável, e aprender coisas novas.”

Ser curioso também será um diferencial. “Acho que a curiosidade é a maior força que podemos ter... Olhar ao redor, investigar coisas, explorar coisas, descobrir novas coisas e ter interesses diversos”, diz o professor.

Ao mesmo tempo, com profissionais mais adaptáveis e curiosos, é de se imaginar que carreiras pouco lineares serão cada vez mais comuns. O próprio Baker é um exemplo. Além das funções de jornalista e professor, que exerce atualmente, já se aventurou em uma infinidade de outras áreas: graduou-se em Literatura Inglesa em Oxford, onde passou boa parte do seu tempo atuando; ao sair da universidade, trabalhou como barman e escreveu resenhas de teatro; já foi professor de inglês e hebreu para crianças judias, empreendeu e foi até mesmo instrutor de mergulho. É parte do que aprendeu com essa bagagem, e parte do que prevê em suas pesquisas, que ele compartilha com o Na Prática no bate-papo a seguir.