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entrevista de emprego

Guia Completo da Entrevista de Emprego

Por Suria Barbosa

Do início ao fim, o Guia Completo da Entrevista de Emprego do Na Prática traz tudo o que você precisa saber para mandar bem nessa etapa presente em todos os processos seletivos.

A entrevista de emprego é um dos momentos mais temidos dos processos seletivos. Não por acaso: o candidato fica frente a frente com o recrutador e tem pouco tempo para impressionar. Além disso, precisa controlar o nervosismo, se atentar à forma com que fala, à postura, e responder as perguntas objetivamente.

Dar atenção a esses aspectos, no entanto, pode não ser o bastante para cativar. Destacar-se em uma entrevista de emprego também requer que o perfil, objetivo e habilidades do profissional estejam alinhadas ao que empresa busca.

Com tantas preocupações, se você quer a oportunidade, não vale a pena ir sem se preparar. Siga esse guia completo da entrevista de emprego do Na Prática para não só dominar os pontos básicos como mostrar seu valor e conquistar o entrevistador. Não tem erro!

Índice

  1. Como mandar bem
  2. Como se preparar
  3. Como escapar de “saias justas”
  4. Como cativar de início
  5. Como se apresentar
  6. Como demonstrar inteligência emocional
  7. Como responder as perguntas mais comuns
  8. Perguntas que você pode fazer
  9. O que fazer após a entrevista de emprego

Como mandar bem na entrevista de emprego

Para mandar bem nessa etapa, o candidato precisa se preparar. São muitos detalhes e pontos a desenvolver – deixar tudo para a última hora, ou “improvisar”, é arriscado.

Essa preparação não deve começar na véspera. Na realidade, ela começa com o currículo, que guiará a conversa com o recrutador. Nele, procure apresentar resultados, além das habilidades e conhecimentos. Treine contar e explicar cada um dos pontos que você descreve no documento.

E também saiba resumir a sua trajetória em poucos minutos, sem esquecer de passar pelos momentos ou fatos mais relevantes.

Não deixe de pesquisar a empresa. Além de, na maior parte das entrevistas, os recrutadores perguntarem sobre o que o profissional sabe, aprender sobre a companhia ajuda a entender de quem ela precisa em seu quadro de funcionários. É de alguém que lida bem com autonomia e rapidez? Ou de quem trabalha muito bem em equipe?

Outra coisa a ser trabalhada é a confiança. Tudo bem estar nervoso, mas controle os sinais e os substitua com sinais de segurança e autoconfiança (o que é diferente de arrogância, cuidado!).

A seguir, confira tudo o que é preciso – desde à preparação, até o que fazer depois da entrevista de emprego.

Como se preparar para a entrevista de emprego

autoconhecimento é um dos pontos mais relevantes, porque influencia diretamente em como a pessoa conta a sua história. Segundo Leonardo Gomes, coordenador de seleção da Fundação Estudar, é importante ter clareza sobre a trajetória, experiências anteriores relevantes, pontos a desenvolver, erros do passado, limitações e ter um plano, pelo menos de curto prazo, para a carreira.

Também é possível treinar para os testes online, como os de capacidade analítica, inteligência espacial, análise crítica de texto e até resolução de cases. Busque referências na internet! O Na Prática já destrinchou os testes de lógica, os de inglês e os desafios de cases, entre outros.

Não basta só se conhecer, você precisa saber contar a sua história. Afine sua habilidade de storytelling. Se tem uma frase que com certeza será dita durante a entrevista de emprego é: “Me fale sobre você”. Por isso, saiba narrar sua trajetória de forma “curta”, tenha uma versão de 5 minutos, e “longa”, com cerca de 8 minutos.

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Utilize o método STAR, um jeito de estruturar que ajuda na hora de narrar suas conquistas. STAR é um acrônimo para Situação, Tarefa, Ações e Resultado. Basicamente, é só seguir essa ordem ao narrar seus feitos. Assim, garante que nenhum ponto importante ficará de fora.

Atualmente, as companhias buscam candidatos que se adequem à sua cultura – o famoso “fit cultural” -, por isso é muito importante estudar sobre a organização para a qual se aplica. Além disso, é bom saber sobre o contexto da indústria, em específico. Estude os seguintes pontos:

  • Macroeconomia: Você não precisa ser um expert, mas é bom saber como anda a situação política e econômica do Brasil. Qual a situação mundial? Qual é a aposta para ser a nova superpotência mundial?
  • Indústria: Quem são os principais clientes no setor da empresa? E os principais concorrentes? Quem domina o mercado?
  • Empresa: Como é a cultura da empresa? Sua missão, visão e valores? Como ela se comporta nas redes sociais? Como sua marca se posiciona? Quais seus principais produtos?
  • Área/função: O que a área para qual você está se candidatando faz? Como se encaixa na empresa como um todo? Qual é o perfil dos profissionais? Como você pode contribuir para essa área?

Por fim – e, definitivamente, não menos importante – estude as perguntas mais básicas, sem se esquecer de se preparar para as mais difíceis. Não dá para prever as quesrões mais originais que o recrutador fará. Mas, tendo pesquisado sobre a empresa, você pode tentar se preparar para responder pontos que surjam.

Por exemplo, se autonomia é um foco da organização, pense em como explicaria como você lida com esse valor durante o dia a dia. E assim por diante. Confira essa lista de perguntas mais difíceis para se inspirar!

Como escapar de “saias justas”

Algumas “saias justas” podem ser evitadas. Por exemplo: atrasos. Quem mora em lugares que têm trânsito diariamente, precisa sair mais cedo. Mas se acontecer, ligue para o recrutador quando perceber que não vai conseguir cumprir o horário e explique honestamente a situação. Dê espaço para ele decidir se espera você chegar, ou se remarca a entrevista de emprego.

Quando o entrevistador pergunta algo com que você não está confortável em responder, como sobre sua idade, avalie o contexto e responde com sinceridade.

“Se for muito mais velho do que a média dos profissionais da empresa, diga que isso não interfere na sua disposição para aprender. Se for muito mais jovem, deixe claro que tem maturidade suficiente para assumir a posição”, explica Isis Borge, gerente de divisão da consultoria Robert Half, à revista EXAME.

Já no começo da conversa, você pode perceber que o entrevistador está sendo meio “frio”, ou mal-humorado. Lembre-se que ter dias ruins é comum e pode acontecer com todo mundo. Não encare como uma questão pessoal, relacionada a você, nem deixe que seu nervosismo aumente por conta disso.

Avalie o clima: tente “quebrar o gelo” com assuntos amenos no início da conversa e, se o interlocutor se mostrar fechado, foque em ser objetivo e dar respostas diretas.

Como cativar de início

primeira impressão

O candidato pode cativar o entrevistador de início, com alguns comportamentos:

  • Cuidar do visual

Escolha seu vestuário com atenção e tente adequar ao tipo de empresa a que se aplica. Na dúvida, aposte em roupas sóbrias e clássicas.

  • Ser gentil

A cordialidade é uma das formas de conquistar. Seja gentil com todos que encontrar na empresa, desde a hora em que entrar. “Já liguei várias vezes para a recepcionista para saber como o profissional tinha se comportado diante dela, quando chegou ao prédio”, explica Raphael Falcão, diretor da consultoria Hays, ao Na Prática. “Se é grosseiro com ela, não adianta nada ser extremamente educado depois.”

  • Identificar o estilo do entrevistador 

ciência já provou, diversas vezes, que a similaridade tem papel forte no quanto “agradamos” alguém. Não é diferente nos processos seletivos. Dessa forma, é indicado ao candidato avaliar a forma com o outro se porta e “imitar”. Isso não é o mesmo que mentir ou mudar sua personalidade. Há um tempo, Felipe Brunieri, na consultoria Talenses, deu a dica ao Na Prática:

“Cada recrutador tem uma personalidade diferente: alguns são mais sisudos e formais, enquanto outros preferem uma abordagem mais coloquial e descontraída. Identificar rapidamente esse estilo, e se adaptar a ele, conta muitos pontos ao seu favor.”

Com se apresentar na entrevista

A técnica de storytelling pode ser bastante útil em uma entrevista de emprego, principalmente se o objetivo é ser lembrado pelo recrutador entre dezenas de candidatos. Storytelling, basicamente, é a arte de contar boas histórias. No contexto do processo seletivo, quatro perguntas podem te ajudar a montar o seu discurso de apresentação.

1. Quem sou eu?

A importância do autoconhecimento, aqui, é dobrada. Identifique o que será o centro da sua história, com base na mensagem que você quer passar. Você é extremamente dedicado e entrega bons resultados? Busque mostrar isso. 

O que você destacaria em sua trajetória? O que faz muito sentido para você? O que quer reforçar que represente quem você é como profissional?

2. Para quem vou contar minha história?

A forma com que alguém conta uma história costuma mudar de acordo com quem a ouve. A mesma lógica se aplica ao entrevistador: é preciso reforçar o que você vai contar de acordo com quem você está falando e a oportunidade que aquela pessoa representa. 

Imagine que você participou da associação atlética durante sua faculdade. Se é uma vaga que lida com aspecto financeiro, você pode destacar experiências com fluxo de caixa e administração de finanças. Se for algo voltado para marketing e comunicação, pode, em vez disso, resgatar seus aprendizados ao divulgar eventos para milhares de pessoas. Não se trata de mudar toda a narrativa, mas ajustar os detalhes. 

Use números quando for possível – métricas concretas ajudam sua história a ser mais marcante.

Leia também: Como conseguir o primeiro emprego sem experiência

Escreva sua apresentação com base nessas perguntas, mas tenha uma versão curta e uma mais longa, para escolher dependendo do que o entrevistador pede, ou demonstra querer.

Treine contar a história o bastante para que consiga fazer isso com naturalidade. No entanto, tome cuidado para não narrá-la mecanicamente.

3. O que me diferencia?

Muitos jovens têm experiências similares no papel: faculdade, estágio, intercâmbio, empresa júnior, etc. O esforço aqui deve ser direcionado para contar o que você fez de diferente. Como enfrentou um desafio ou mudou algum processo? Como buscou e aproveitou as oportunidades? De que forma realizou algo além do previsto?

4. Minha história é congruente?

As mensagens ambíguas que uma história incongruente transmite podem levar um recrutador a assumir que você está inventando aquele interesse na hora ou que ele não é verdadeiro, por exemplo. Caso sua apresentação pessoal contenha focos de interesse, garanta que eles encontrem respaldo no que você está falando.

Se você não tem background congruente com seus interesses, não invente. Em vez disso, corra atrás de ter uma experiência alinhada, que traga a fundamentação necessária para a mensagem que você quer passar. Seja um curso (inclusive, online), um trabalho voluntário relacionado à causa que te move, etc.

Como demonstrar inteligência emocional

Em tempos de automação intensa do trabalho, a inteligência emocional vem sendo cada vez mais valorizada nos processos seletivos. Em suma, ter um alto nível de inteligência emocional significa ter capacidade de gerenciar seus sentimentos, de modo que eles sejam expressos de maneira apropriada e eficaz.

Ela é muito útil pessoalmente, mas também profissionalmente – e para a empresa. Significa que você lidará bem com conflitos, por exemplo.

Qual seu nível de inteligência emocional? Faça o teste!

A revista Época Negócios compilou sete passos para mostrar essa habilidade em uma entrevista de emprego.

  1. Ouça ativamente
  2. Mostre emoções
  3. Compartilhe o crédito por suas conquistas
  4. Mostre como você está tentando melhorar
  5. Não tenha medo de falar sobre conflitos
  6. Pergunte sobre a cultura e valores
  7. Mostre que você pode aprender com seus erros

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Como responder as perguntas mais comuns

1. “Me fale sobre você…”

2. “Quais são seus pontos fortes e fracos?”

3. “Como você se vê daqui a 10 anos?”

4. “Por que devo te contratar?”

Perguntas que você pode fazer

Toda entrevista de emprego tem aquele momento em que o entrevistador pergunta se o candidato tem alguma questão. Esse é o momento ideal para tirar dúvidas que tenham ficado. Como quão flexíveis são os horários, como se dá a interação entre as equipes, qual seria sua principal responsabilidade se conseguisse o cargo.

Porém, se não tenha nenhuma dúvida na cabeça e, mesmo assim, queira aproveitar a oportunidade para se destacar ainda mais, tenha algumas perguntas na manga. A seguir, alguns exemplos:

  1. Como a empresa vai estar daqui a um ano? De todas e quaisquer perspectivas – produto, pessoas, equipes, receita.
  2. O que significa sucesso para funcionários em posições iniciais nessa empresa?
  3. Como você descreveria a equipe e o gerente do time em que eu trabalharia?
  4. Se você me oferecesse o emprego, o que recomendaria que eu fizesse para começar com o pé direito?
  5. O que preciso realizar nos primeiros 90 a 120 dias para ser um sucesso e causar impacto?

O que fazer após a entrevista de emprego

O que fazer depois da entrevista de emprego é uma dúvida entre muitos candidatos. Se você sentir que a conversa fluiu bem e a oportunidade te interessar bastante, pode mandar um e-mail de agradecimento pela disposição do recrutador.

Durante a conversa, se o entrevistador pediu que você solucionasse um problema, envie um e-mail aprofundando sua proposta. Ou envie os trabalhos que mencionou.

Mostrar interesse é importante para conseguir a vaga, no entanto, tenha cuidado e perceba se ele deixou espaço ou não para um novo contato.

No caso de ter sido recomendado por alguém, mesmo que não seja de dentro da empresa, é importante ressaltar isso no e-mail de agradecimento. Converse com a pessoa que te recomendou e demonstre interesse na vaga, o feedback positivo pode acabar chegando aos ouvidos do recrutador.

 

 

 

 

 

 

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