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Japonês pensativo olhando para a janela

Fazer um estágio ou abrir minha startup?

Por Rafael Carvalho

Durante a faculdade, qual a melhor opção: empreender ou estagiar? Com a ajuda de especialistas em carreiras, elaboramos lista com alguns pontos a serem analisados na hora da escolha

O número de jovens que entram na faculdade já com a ideia de empreender tem aumentado pelo Brasil afora. Mas, afinal de contas, vale mais a pena fazer um estágio durante o curso e deixar para abrir minha empresa depois de pegar o diploma ou já quero formar tendo meu próprio negócio criado e estruturado?

Segundo a pesquisa “Empreendedorismo nas universidades brasileiras”, realizada pela Endeavor em parceria com o Sebrae em 2014, um quarto dos quase 5 mil estudantes universitários entrevistados pensa em abrir seu próprio negócio já no ano da pesquisa (13,5%) ou no ano seguinte (11,9%). Os dados mostram que muitos não estão dispostos a esperar, mas os especialistas em carreiras afirmam que os estágios também podem ser uma boa opção.

“Tudo vai depender do perfil e dos sonhos de cada um. O estágio pode ser um bom caminho mesmo para quem entra na graduação já com planos de empreender. Isso porque o universitário terá conhecimento de como funciona aquele determinado mercado, ver o que está dando certo ou não e, a partir daí, querer fazer o mesmo ou diferente em seu próprio negócio”, afirma a coaching, Rijane Mont´Alverne.

Nas duas opções, é importante ter em mente não abandonar ou prejudicar os estudos (mesmo que isso pareça impossível). “Ter relacionamento com pessoas mais experientes no papel de mentor, seja na universidade, seja no meio profissional, pode contribuir para a organização da agenda e prioridades visando conseguir conciliar estudo, negócio e estágio. Outro ponto é ter parceiros no negócio ou no estágio que compartilhem de tempo e dedicação nas entregas das demandas, visando abrir na agenda do jovem tempo para os estudos, entendendo que estes sempre vão contribuir positivamente”, explica a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humano (ABRH), Cristiane de Ávila.

Para ajudar os estudantes que estão se decidindo por fazer um estágio ou já abrir seu próprio negócio durante a graduação, listamos alguns pontos positivos e negativos de cada escolha:

1. Autonomia

Estágio: Geralmente é pequena, visto que as grandes empresas já possuem programas de estágio pré-definidos e sob a supervisão de outros funcionários. Ou seja: você não tomará grandes decisões e, nas que tomar, alguém provavelmente vai estar de olho.

Negócio próprio: Você está no comando. Os rumos da empresa serão definidos pelas suas escolhas e você será obrigado a tomar decisões importantes o tempo todo, até mesmo sobre assuntos que seu conhecimento é pequeno. Portanto, se prepare antes de tomá-las!

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2. Remuneração

Estágio: Segundo pesquisa do Núcleo Brasileiro de Estágios (NUBE), a média nacional da bolsa-auxílio é de cerca de 1.100 reais no nível superior. A grana pode não ser tão alta, mas é certo que ela estará na conta no fim do mês.

Negócio próprio: Uma das grandes dúvidas de quem abre sua startup é quando ela começará a dar retornos financeiros. Não existe um padrão, mas tenha consciência que pode demorar mais do que o previsto. Por outro lado, também é possível ganhar valores inesperados para seus vinte e poucos anos.

4. Disponibilidade de tempo

Estágio: As empresas sérias obedecem ao limite de jornada para um estagiário permitido em lei (6 horas diárias e 30 semanais). Outro aspecto importante é que essas empresas evitam passar trabalho para ser desenvolvido em casa, o que significa que você pode organizar seu tempo para estudar para as provas de final de semestre.

Negócio próprio: Prepare-se para acordar e dormir pensando em trabalho, inclusive com a possibilidade de perder aulas na faculdade (fazer poucas disciplinas pode ajudar). Principalmente no começo, startups consomem grande carga horária do dia e em períodos diferentes. Por outro lado, você pode virar três noites seguidas trabalhando para depois folgar na data planejada (e sem dar satisfações ao chefe)…

5. Diversidade de funções

Estágio: Por mais que as empresas tentem deixar o programa de estágio mais versátil, o seu cronograma de atividades tende a ser menos flexível. Você não vai apertar parafusos como Chaplin em “Tempos Modernos”, mas também não acredite que passará por todas as funções e setores almejados.

Negócio próprio: Chegou a hora de mostrar que você é dinâmico e capaz de fazer de tudo um pouco. Nas startups, as funções costumam ser mais livres e a necessidade te obrigará a desempenhar tarefas antes inimagináveis, desde preparar um café para seu cliente até operações bancárias que você nem sabia que existiam.

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6. Pertinência temática com o curso

Estágio: Como a própria lei diz, estágio é um vínculo educativo-profissionalizante e as universidades fazem parte do termo de compromisso assinado entre estudante e empresa. Portanto, provavelmente, você conseguirá relacionar os conteúdos das aulas com o que está fazendo na prática em seu estágio.

Negócio próprio: Você estuda Biologia e abriu uma startup sobre aluguel de vestidos de noivas pelo celular? Dificilmente conseguirá fazer uma correspondência entre os temas das disciplinas e seu trabalho, mas certamente desenvolverá outras habilidades que podem ajudar no seu curso, como dinamismo e curiosidade.  Se a empresa for no ramo do curso, “bingo”! Você está vários passos à frente dos demais.

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