Um Projeto: Fundação Estudar
a empreendedora brasileira Tatiana Pimenta

Conheça a empreendedora brasileira que é finalista em prêmio global

Por Suria Barbosa

"Até agora foi uma das experiências mais enriquecedoras que já vivi em toda minha carreira", conta Tatiana Pimenta, fundadora e CEO da Vittude e única brasileira selecionada entre 21 empreendedoras em concurso da joalheria Cartier.

Anualmente desde 2006, a joalheria Cartier promove o Cartier Women’s Initiative Awards, prêmio que procura encorajar e apoiar mulheres empreendedoras. Para tanto, a iniciativa seleciona 21 mulheres ao redor do mundo – três de cada uma das regiões contempladas: América Latina, América do Norte, Europa, África Subsaariana, Oriente Médio, norte da África, Extremo Oriente da Ásia e Sudeste Asiático.

Da América Latina, região que envolve 20 países, Tatiana Pimenta é parte do trio selecionado para ser finalista – e a única representante do país na competição. A empreendedora brasileira é fundadora e CEO da Vittude, plataforma que conecta psicólogos e pacientes fundada em 2016, a partir de uma motivação pessoal.

Tatiana teve contato com o prêmio da Cartier através do sócio, Everton Höpner, que o viu no LinkedIn. “Ao analisar os requisitos para inscrição, percebi que tínhamos um fit bastante grande com a premiação”, lembra ela. O CWIA (Cartier Women’s Initiative Awards) é direcionado a empresas de impacto social, com fins lucrativos e lideradas por mulheres.

Embora o aporte financeiro seja uma das vantagens que a atraíram para o concurso – “vivemos em um país onde é super difícil para uma empresa obter financiamentos em seu estágio inicial – ela aponta a possibilidade de construir networking global, receber coaching de pessoas com experiência em mercados internacionais, a formação no INSEAD e o contato com investidores de outros países – os principais benefícios das vencedoras – como fortes motivos que contribuíram para sua decisão de se aplicar ao prêmio.

“[O processo de inscrição] é bem complexo e exige uma quantidade significativa de informações, como o envio de documentos contábeis traduzidos para o inglês, contratos societários, entre outros”, explica. “Todas as empresas selecionadas passaram por uma auditoria rigorosa.”

O que fez ela se tornar uma das finalistas

Ao feito de ser uma das três finalistas selecionadas na América Latina, a CEO atribui a relevância de fatores como apresentação de números consistentes, a forte curva de crescimento ao longo dos primeiros anos de existência da Vittude, o currículo e experiência dos fundadores. “Tanto eu quanto o Everton temos uma bagagem sólida de negócios vinda de empresas como Grupo Votorantim e Falconi.”

“Além disso, em função de estratégias de marketing adotadas no início da operação, hoje a Vittude tem mais que o dobro de visibilidade e tráfego do que o segundo player do mercado”, destaca a empreendedora brasileira.

De forma geral, Tatiana considera que alguns aspectos, em suma, foram o foco da banca avaliadora do prêmio da Cartier:

  • potencial de impacto social e escalabilidade do projeto
    “A Vittude é um marketplace altamente escalável. Já temos clientes em mais de 50 países, sem nunca termos saído de São Paulo”;
  • potencial de entrega/execução do time (levando em conta resultados financeiros) e
  • potencial de se tornar líder/referência de mercado (o diferencial competitivo do negócio).

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Desafios até a próxima etapa

Desde que se tornou uma das finalistas, a empreendedora tem aproveitado as oportunidades de networking, como um grupo das selecionadas no WhatsApp, que conta com a participação da equipe da Cartier. “Esse networking é fantástico e único, uma vez que também podemos compartilhar os desafios de empreender, trocar experiências e contatos com empresas e investidores”, relata.

Por estar na final, ela foi premiada com 30 mil dólares. Com o apoio financeiro e o resultado da última rodada de investimentos pela qual a companhia passou, ela planeja atingir metas importantes para a realização de uma rodada de investimentos mais robusta. Outro desafio atual pelo qual a Vittude passa é de estruturar o time de lideranças com profissionais com experiência de mercado.

Além de uma formação em impacto social no fim do ano, Tatiana tem recebido coaching de dois profissionais do INSEAD – de negócios e finanças. “Ao longo dos últimos 3 meses, eles me ajudaram a estruturar um Business Plan, a refinar o roadmap de produtos e construir um plano financeiro que nos permita escalar e de fato atingir mais e mais pessoas”, afirma ela. “O processo de coaching foi enriquecedor, me fez repensar algumas estratégias”, conclui.

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O que vem pela frente para a empreendedora brasileira

“Independente do primeiro lugar, a oportunidade de fazer parte de todo processo até agora foi uma das experiências mais enriquecedoras que já vivi em toda minha carreira”, relata Tatiana.

De qualquer forma, a empreendedora brasileira conta que seus planos futuros estão alinhados com o crescimento e posicionamento do seu negócio como empresa referência no setor de saúde mental no Brasil e em outros mercados.

“Para a carreira, vejo que ainda tenho um caminho de desenvolvimento enquanto CEO. Ser a número 1 de uma organização exige uma série de habilidades e preparação constante, seja intelectual, acadêmica ou emocional”, afirma.

Entre as atividades a que se dedica de modo a fomentar seu crescimento, ela cita leitura e podcasts sobre empreendedorismo de regiões como Vale do Silício e China “para entender o que outros estão fazendo”.

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“Se algo não é possível agora, trate de começar a construir o caminho”

Para outras empreendedoras brasileiras, a fundadora e CEO da Vittude recomenda nunca duvidar do potencial. “Se algo não é possível agora, trate de começar a construir o caminho para que seja possível no futuro”, completa. “Quando comecei a Vittude, muitas pessoas disseram que meu projeto não daria certo. Algo dentro de mim dizia que elas estavam erradas, eu optei por seguir meu instinto e meu coração e seguir adiante.”

Outro ponto indispensável para a jornada de abrir seu próprio negócio, segundo ela, é ter resiliência, “uma das características mais importantes”.

“Empreender é semelhante a uma maratona: é preciso persistência, mente forte e resiliência para chegar até o final e não desistir antes da hora.”

Por fim, ela indica aproveitar ao máximo a experiência – desde celebrar pequenas vitórias: “se, no final, algo der errado, ainda assim terá valido muito à pena, você terá se divertido e tido uma das experiências mais ricas da vida.”

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