Um Projeto: Fundação Estudar

Bate-Papo com Viviane Senna

Por Cecília Araújo

A psicóloga que transformou a dor da perda do irmão em um instituto que cria oportunidades para milhões de jovens

Em novembro de 1994, ano do acidente em Ímola que tirou a vida do seu irmão Ayrton, Viviane Senna fundou com a família o Instituto Ayrton Senna. Então com 36 anos, ela era formada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e atuava há mais de 10 anos como psicoterapeuta, sem nunca ter participado dos negócios da família. Mesmo assim, aceitou o desafio de assumir a presidência da organização, dando forma ao desejo manifestado pelo piloto dois meses antes de morrer: de contribuir para melhorar a educação brasileira.

O Instituto começou com ações pontuais de atendimento, direcionando para projetos sociais o dinheiro arrecadado em contratos de utilização das marcas Senna e Senninha e a imagem de Ayrton Senna. Ao longo dos seus 20 anos de existência, o IAS expandiu sua atuação para o “atacado” – promovendo, através do desenvolvimento e multiplicação de tecnologias sociais, uma educação pública de qualidade, inspirada em valores associados ao nome de Ayrton, como determinação, motivação, superação, orgulho de ser brasileiro e vitória.

Os números surpreendem: somando um investimento de 203 milhões de reais, o Instituto já formou 700 mil educadores e impactou diretamente mais de 16 milhões de crianças. À frente deles – e desde o princípio com visão de metas e resultados – Viviane se tornou uma das maiores referências nacionais no cenário de desenvolvimento humano, e uma das figuras mais proeminentes no debate sobre educação no Brasil.

Os reconhecimentos pelo seu trabalho são muitos e não apenas no Brasil. É a única brasileira no grupo “Amigos Adultos” do Prêmio das Crianças do Mundo – ao lado de personalidades como a Rainha Silvia da Suécia, do Prêmio Nobel da Paz José Ramos Horta e, até o ano passado, de Nelson Mandela. Também foi nomeada um dos Líderes para o Novo Milênio, em uma iniciativa da CNN/Revista Time. Em 2012, recebeu o Prêmio BNP Paribas em Paris, eleita de forma unânime por um júri coordenado pelo Prêmio Nobel de Economia Amartya Sen.

Atualmente, Viviane é membro do Conselho do Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e do Conselho de Desenvolvimento Sustentável da Cidade de São Paulo. Também integra diversos conselhos consultivos e administrativos de organizações, como da Federação Brasileira dos Bancos; o Conselho de Educação da CNI e FIESP; Instituto Itaú Social, Citibank, Santander e World Trade Center. Ajudou a fundar e preside o comitê técnico do movimento Todos pela Educação, um coletivo de líderes de todos os setores que, pressionando pela melhoria da qualidade da educação, se tornou o maior fórum nacional de debates e mobilização sobre o tema.

Viúva e mãe de três filhos, Viviane aprendeu a incentivar sonhos grandes também dentro de casa: superando o medo, se tornou uma grande apoiadora da decisão de Bruno, seu filho do meio, de seguir a carreira do tio.

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